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As histórias reais que inspiraram a lenda da Loira do Banheiro

O mito que todos aprendemos na escola tem raízes macabras em diversos países

Joseane Pereira Publicado em 11/04/2019, às 11h25

Maria I
Maria I - Wikimedia Commons

Quem nunca sentiu receio ao apertar a descarga no banheiro vazio que atire a primeira pedra. A lenda da Loira do Banheiro é uma recordação da infância de muitos brasileiros, que viam no medo do desconhecido uma oportunidade de brincar, invocando a morta-viva com métodos que variavam de escola para escola.

Mas o fato é que histórias de fantasmas no banheiro não são uma exclusividade da cultura brasileira, estando presentes no Japão, Inglaterra e Estados Unidos.

Confira abaixo as raízes "reais" para essa famosa lenda!

Maria Sangrenta da Inglaterra

Créditos: Wikimedia Commons

A expressão Bloody Mary, que inspirou a lenda da maria Sangrenta, tem raízes na Inglaterra do século 16. Na época, o país estava sendo regido por Maria I da dinastia Tudor, primeira mulher a ocupar o trono da Inglaterra. Maria I teve um reinado marcado pela perseguição religiosa, com o objetivo de restaurar o catolicismo no país. Por isso, centenas de protestantes foram perseguidos e mortos de forma violenta, o que lhe deu a alcunha de "Maria Sangrenta". Seu reinado também foi marcado pela fome e pela peste.

Isso gerou, nos países anglo-saxônicos, a lenda da Bloody Mary. Para as crianças desses países, ensina-se que Mary é invocada ao pronunciar seu nome três vezes olhando no espelho -- talvez por importação, o mesmo método é usado para a Loira do banheiro no Brasil. Nas versões mais elaboradas, o ritual envolve bater a porta, abrir as torneiras e dar a descarga três vezes (haja desperdício de água!).

Hanako no Banheiro ou O Fantasma Japonês

Créditos: Wikimedia Commons

O Japão não tem uma, mas no mínimo seis lendas de criaturas sobrenaturais que assolam os insólitos banheiros. A mais próxima da brasileira é Hanako-san, uma estudante que teria morrido em sua escola, num ataque aéreo durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a lenda, a garota aparece vestindo uma saia vermelha e chamando as outras crianças para brincar, sempre no terceiro box do banheiro - supostamente o local onde ela teria falecido. Em outras versões, ela aparece caso seu nome seja invocado três vezes. A verdade é que muitas crianças realmente faleceram em ataques aéreos em cidades como Tóquio, Hiroshima e Nagasaki, e existem rumores dessa lenda no Japão desde a década de 40.

A Loira de Guaratinguetá

Maria Augusta de Oliveira, que, vejam só, era ruiva / Reprodução

A nossa loira, numa das versões mais comuns, seria uma estudante mal aplicada que matava aula no banheiro, até o dia em que escorregou e bateu a cabeça na privada, passando a aterrorizar alunos eternamente.

Haja desastre para existir uma assombração em cada escola! Ou bastou uma só morte, que foi bem registrada. Em Guaratinguetá, cidade do Vale do Paraíba, São Paulo, conta-se uma versão bem detalhada: a loira seria na verdade a filha de um fazendeiro de café – Maria Augusta de Oliveira. Seu pai era o famoso Visconde de Guaratinguetá.

Segundo a lenda, Maria se casou à força aos 14 anos com um homem muito influente. Não se adaptando ao matrimônio, a garota vendeu suas joias, fugiu para Paris e lá morreu de raiva (a doença, não a emoção) aos 26 anos, em 1891. Com a notícia da morte, a família pediu que seu corpo fosse retornado para o Brasil e embalsamado em uma urna de vidro enquanto o mausoléu era preparado. Mas, mesmo após tudo estar pronto, a mãe de Maria não queria que sua filha fosse enterrada, e seu corpo começou a desidratar no casarão da família. Apenas depois de ter vários pesadelos onde sua filha saía para beber água, a mãe aceitou enterrá-la. O casarão mais tarde se tornou a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, fundada em1902 -- o epicentro da lenda no Brasil. A história ganhou força após um misterioso incêndio acometer a escola, em 1916, fazendo com que o prédio fosse reconstruído.