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Hitler pisou em algum campo de concentração?

Especialistas afirmam que Hitler se distanciava da realidade brutal que ele mesmo arquitetou

Fabio Previdelli Publicado em 05/08/2020, às 17h44

Crianças em campo de concentração
Crianças em campo de concentração - Domínio Público

O plano de aniquilar toda a população judia da Europa sempre estará associado ao nome de Adolf Hitler. O mais radical entre os antissemitas era um odiador paranoico de judeus e desde o início de sua carreira política sempre falou repetidamente da necessidade de exterminá-los.

Depois que ele se tornou líder na Alemanha, essa ‘remoção’ começou, primeiro na Alemanha, depois em toda a Europa. Como consequência, Auschwitz emergiu como o local onde mais mortes ocorreram: cerca de um milhão de pessoas foram assassinadas nas câmaras de gás.

Mas o que torna tudo isso mais surpreendente é que Hitler jamais visitou um único campo de concentração. Essa afirmação foi feita inicialmente por Ian Kershaw, professor de história moderna na Universidade de Sheffield e autor da biografia em dois volumes do ditador, em artigo publicado no The Telegraph e posteriormente reiterado em uma série documental chamada As Vidas Privadas, exibida pela BBC.

Campo de concentração de Auschwitz, Polônia / Crédito: Getty Images

 

Kershaw afirmou que ele se manteve distante do trabalho mais sujo de seu regime e que ele falou muito pouco sobre a Solução Final até mesmo para sua comitiva. Inclusive, Hitler teria destruído qualquer documento que o conectava ao Holocausto.

No documentário da BBC, mais detalhes foram divulgados. O episódio mostra que sempre que um trem repleto de judeus — que seguia para os campos de extermínio — parava numa mesma plataforma em que o vagão de Hitler estava, ele fazia questão de fechar as cortinas.

"Hitler nunca quis ser confrontado com a realidade brutal do que estava acontecendo. Ele só queria saber que estava sendo feito", explica Tracy Borman, curadora-chefe dos Palácios Reais Históricos do Reino Unido e responsável por apresentar o episódio.

Apesar de falar publicamente, e de maneira mais cruel, sobre a perseguição dos judeus, o ditador jamais se associou em linguagem clara aos assassinatos deles, como Heinrich Himmler fez. Em outubro de 1943, o Reichsführer falou aos líderes da SS sobre como era ver 1.000 cadáveres lado a lado, descrevendo "o extermínio do povo judeu" como uma "página gloriosa de nossa história, uma página que nunca foi escrita e que jamais poderá ser escrita”.

Hitler em foto pouco conhecida /Crédito: Domínio Público

 

O fato de nenhuma ordem escrita de Hitler sobre a Solução Final ter sido encontrada — se é que esses documentos realmente existiram — ajudam a alimentar as reivindicações neonazistas de que Hitler não era responsável pelos assassinatos dos judeus e de que Himmler o manteve blindado de tudo o que acontecia nos campos.

Mas para Kershaw, embora as ações de Hitler estejam frequentemente ocultas nas sombras, não se pode haver a “menor dúvida” de que sem o Führer, é inimaginavel “a criação de um programa, do qual Auschwitz se destaca como o símbolo duradouro, para provocar o extermínio físico dos judeus da Europa”.


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