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Mortas em tempos distintos: as impressionantes múmias do Irã conservadas pelo sal

Com riqueza de conservação, alguns dos corpos encontrados na mina de sal tem mais de 10.000 anos de idade — e aparentam ser defuntos recentes

Caio Tortamano Publicado em 13/02/2020, às 05h00

Cabeça em ótimo estado da primeira múmia encontrada
Cabeça em ótimo estado da primeira múmia encontrada - Wikimedia Commons

Durante uma escavação no Irã em 1993, mineiros da mina de sal Chehrabad encontraram os restos de um homem. Aparentemente bem conservado, o cadáver grisalho e de barba com um único brinco de ouro fascinou os mineiros, que depois descobriram se tratar de um defunto do ano 300 d.C.

Depois do achado, outros homens foram encontrados na mesma situação do primeiro. Assim, foram apelidados de "Homens de Sal". Cinco outras múmias foram descobertas, todas na mesma área. Em 2008, a mina foi classificada como um sítio arqueológico, dando aos pesquisadores liberdade para pesquisar os restos encontrados.

Com a falta da umidade, causada pela presença abundante do sal, os mineiros provavelmente morreram soterrados após um trágico desmoronamento. As condições foram propícias para mumificar os corpos, sendo possível até mesmo identificar traços da dieta.

Seus órgãos internos ainda estavam intactos, e os pesquisadores conseguiram identificar a presença de restos de ovos de vermes com mais de 2.000 anos em seus estômagos, indicando provavelmente uma dieta rica em carne crua ou pouco cozida.

O sal do local também preservou outros itens. Uma bota de couro (que, por sinal, tinha um pé humano dentro) foi encontrada, além de uma faca de ferro, uma agulha de prata, uma corda, potes e outros artefatos menores.

Outros itens preservados encontrados juntos aos corpos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao total, os pesquisadores encontraram os restos de seis homens. Três deles são exibidos no Museu de Arqueologia de Zanjan, no Irã. A primeira das múmias descobertas tem a cabeça e o pé expostos no Museu Nacional do Irã, em Teerã.  A múmia descoberta em 2007 era frágil demais para ser retirada do local.

Apesar de possuírem as mesmas características, as pessoas não morreram todas ao mesmo tempo. A múmia mais antiga encontrada no local foi datada de 9550 a.C., muito tempo antes da primeira a ser encontrada, que vivia por volta de 300 d.C.

As múmias são expostas na posição em que foram encontradas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além dos seis achados, não é descartada a possibilidade de haver outros corpos perdidos no sítio arqueológico. Foram encontrados seis cadáveres inteiros, mas diversos membros separados também foram revelados e registrados. Até o momento, estima-se que existam mais de 8 corpos no local.


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