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Infância arrancada aos poucos: o horror vivido por crianças sequestradas pelo Terceiro Reich

Durante toda a Segunda Guerra Mundial, meninos e meninas foram tirados de suas casas para, então, iniciar uma trajetória fria e cruel

Pamela Malva Publicado em 16/04/2020, às 08h00

Fila de crianças polonesas em campo de trabalho nazista
Fila de crianças polonesas em campo de trabalho nazista - Wikimedia Commons

Durante toda a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista não mediu esforços para ocupar e manter a Polônia sob seus domínios. Naquela época, centenas de milhares de homens, mulheres e crianças poloneses foram mortos sem qualquer misericórdia.

Em novembro de 1939, como mais uma das medidas tomadas no conflito, Hitler decretou que Heinrich Himmler cuidaria dos territórios ocupados. Dessa forma, o homem ficou encarregado de todas as políticas que envolviam os poloneses.

No novo cargo, Himmler emitiu um documento que definia o sequestro de crianças da Polônia em detalhes. Publicado em maio de 1940, o texto previa diversas restrições e, no final, acabou abrindo portas para um pesadelo sem fim.

Criança sendo arrancada dos braços da família / Crédito: Wikimedia Commons

 

O começo obscuro

Inicialmente, o documento produzido por Himmler determinava que as crianças polonesas teriam uma educação bastante limitada. Elas aprenderiam a escrever apenas o próprio nome e teriam aulas sobre supremacia alemã.

Caso os pais de um pequeno quisessem que ele estudasse mais do que isso, deveriam pedir permissão para as tropas da SS. A criança apenas receberia a aval para aprender caso tivesse um bom valor racial. Aquelas com o verdadeiro valor alemão seriam levadas para o país e receberiam novos nomes.

De forma geral, o plano, que foi aprovado por Hitler, era erradicar os poloneses a médio longo prazo, retirando as crianças de suas casas e transformando-as em pequenos alemães. No total, entre 1940 e 1945, cerca de 200 mil crianças polonesas foram sequestradas, enquanto outras 30 mil de diferentes etnias eram tiradas de suas casas.

Na grande maioria das vezes, os pequenos eram arrancados dos braços de seus pais, ou eram sequestradas à força. Orfanatos e famílias adotivas eram alguns dos alvos preferidos. Os jovens também eram levados após seus pais serem assassinados.

Czesława Kwoka, uma das crianças mortas em Auschwitz / Crédito: Wikimedia Commons

A luta pela vida

Entre os muitos destinos que os pequenos poderiam tomar, 10 mil foram enviados e morreram nos campos de concentração em Zwierzyniec, Zamość, Auschwitz e Majdanek. Grande parte delas não conseguiu sobreviver ao deslocamento.

Em condições violentas e impiedosas, os meninos e meninas eram transportados por vagões de gado e ficavam sem comer ou beber por dias. Centenas morreram de frio no inverno e de asfixia no verão. Alguns — os mais sortudos — foram comprados de volta pelos próprios pais.

Ainda assim, a grande maioria das crianças que sobreviviam às condições insalubres eram levadas aos campos de educação infantil. Nas instituições, eram julgados, testados e selecionados, e, no final, tinham identidades destruídas.

Nos campos de educação, como os alemães chamavam, as crianças eram classificadas, através de testes psicológicos e exames médicos, por seu valor alemão. Aqueles de menor valor eram enviados para Auschwitz ou Treblinka. 

A vida nas sombras

Uma vez selecionadas como crianças de alto valor, os pequenos entre seis e doze anos eram enviados a lares especiais e recebiam novas certidões de nascimento. A partir daí, eram obrigados a aprender alemão e esquecer a vida na Polônia.

Os menores, entre dois e seis anos, iam para abrigos, onde eram observados por um certo período. Em ambos os casos, as crianças eram classificadas mais uma vez e, se fossem qualificadas, eram colocadas para adoção.

Batismo de uma criança adotada por alemães / Crédito: Wikimedia Commons

Entretanto, os pequenos não podiam respirar aliviados nem mesmo quando eram adotados pelas famílias alemãs. Dependendo dos novos pais, eles poderiam até apanhar caso demonstrassem suas origens polonesas.

Em Auschwitz, entre 200 e 300 crianças de Zamość foram assassinadas por injeções de fenol. Algumas ainda foram vítimas das câmaras de gás e, em outros casos, os jovens morriam devido às condições precárias em que viviam.

Além das enviadas para os campos de concentração, muitas crianças eram usadas como cobaias em testes e experimentos científicos. Assim, eram submetidas a fortes medicamentos, produtos químicos e substâncias desconhecidas. 

Após o fim da guerra, com a libertação dos campos, diversos jovens poloneses foram interrogados pelos exércitos dos Aliados, como forma de investigar os sequestros. Nesse processo, os Julgamentos de Nuremberg, ocorridos entre 1947 e 1948, determinaram que os acontecimentos configuravam genocídio.

No final, por maiores que fossem os esforços para devolver os pequenos às suas casas, apenas 10 a 15% dos sequestrados voltaram para suas vidas normais. Milhares ficaram apenas na memória de um dos episódios mais cruéis que a humanidade já viu.


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