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A insólita infecção anal de Luis XIV

Devido aos péssimos hábitos alimentares e a falta de banho, o Rei Sol adquiriu uma estranha doença entre as nádegas

Victória Gearini Publicado em 29/01/2020, às 21h40

Retrato de Luis XIV
Retrato de Luis XIV - Getty Images

O Rei Sol, mais conhecido como Luís XIV, governou a França entre 1643 e 1715. Durante o dia a dia, o soberano tinha hábitos incomuns e nada higiênicos, que o levaram a ter uma infecção em uma região improvável, mudando a história da medicina.

Em fevereiro de 1686, enquanto cavalgava, Luís XIV sentiu um desconforto em suas nádegas, que nunca tinha sentido antes. Seus péssimos hábitos alimentares — o rei era um glutão — e sua falta de banho, o levaram a ter uma fístula anal, ou seja, infecção no ânus.

Além de possuir um cheiro desagradável, a cama de Luís XIV era repleta de pulgas, o que facilitou para a proliferação de doenças em sua pele. Por um determinado tempo, os médicos reais conseguiram conter os sangramentos e o pus no ânus do rei, mas quando perceberam que a saúde do monarca só piorava, chamaram Félix, o primeiro-cirurgião da corte.

Crédito: Getty Images

 

Segundo a obra 30 Histórias Insólitas que Fizeram a Medicina, do cirurgião e professor da Universidade de Paris-Descartes, Jean-Noël Fabiani, no século 17 cirurgiões não eram bem vistos entre os médicos. De acordo com o autor, Félix aceitou curar Luís XIV, mas antes, treinou em pacientes de hospícios e militares que sofriam do mesmo problema.

“O mundo acredita que o Rei Sol está morrendo, pois sofre de um mal dos fundilhos. Os médicos, impotentes para curá-lo, são obrigados a dar lugar à Félix, o barbeiro profissional”, escreveu Jean-Noël Fabiani.

Para esterilizar a ferida, Félix utilizou vinho da Borgonha e em pouco tempo fez o procedimento. A boa recuperação de Luís XIV garantiu ao cirurgião uma grande recompensa financeira, terras e espaço na nobreza. Segundo Fabiani, Félix pediu, ainda, que a profissão de cirurgião fosse regulamentada. No entanto, para não desagradar os médicos, o Rei Sol decretou que barbeiros que somente cortassem cabelos não poderiam fazer procedimentos cirúrgicos.

Décadas mais tarde, a profissão foi regularizada e originou a primeira Academia Real de Cirurgia. Seu fundador, foi Mareschal, o cirurgião de Charité, que inspirado nos ensinamentos de Félix e instruído pelo colega La Peyronie, inaugurou o local, em 18 de dezembro de 1731.


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