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Condomínio residencial: Conheça as curiosas ínsulas da Roma Antiga

Há milhares de anos, os romanos desenvolveram uma forma de abrigar dezenas de pessoas em uma grande construção

Redação Publicado em 04/12/2020, às 11h00 - Atualizado em 27/08/2021, às 10h00

Fotografia de uma ínsula
Fotografia de uma ínsula - Dennis Jarvis/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Quando pensamos na Roma Antiga, é pouco provável que pensemos na imagem de um condomínio residencial. Acontece que era exatamente assim que vivia a grande maioria as 1 milhão de pessoas que a capital da Europa abrigou em seu auge.

Segundo registros romanos, no século 4, havia até 46 mil insulae (insula no plural) na cidade, versus menos de 2 mil domus, as mansões dos ricos. O nome quer dizer “ilha” e era usado para denominar os quarteirões, que são como ilhas entre as ruas.

Os edifícios de apartamentos ganharam esse nome porque geralmente ocupavam o quarteirão inteiro. Exceto pelos mais ricos, todo mundo morava num deles, e eram uma
indústria. Marco Licínio Crasso, aliado e financiador de Júlio César, era o homem mais rico de Roma e devia boa parte de sua riqueza à sua especulação imobiliária com as múltiplas ínsulas que alugava.

Cícero afirmou que, quando os prédios caíam pela economia que Crasso fazia na
construção, ele ficava feliz, pois poderia cobrar um aluguel maior com as novas que construiria no lugar. Crasso também tinha um serviço de bombeiros para atender as ínsulas — por um preço.

Uma ínsula podia ter até nove andares ou mais, às vezes expandidos ilegalmente,
com os últimos podendo ser extensões de madeira, que facilmente pegavam fogo. Eram sempre prédios largos, ocupando todo o quarteirão.

Representação de uma ínsula romana / Crédito: Divulgação

 

Quanto mais alto... pior

Para os romanos, quanto mais alto, pior. Não havia elevador, nem, geralmente, água ou esgoto nos últimos andares. Particularmente sinistro em caso de incêndios — as mangueiras dos bombeiros (vigiles) não tinham pressão para atingi-los.

Conforme se chegava mais perto do solo, os apartamentos aumentavam de tamanho,
conforto e preço. Em alguns lugares, porém, as ínsulas inteiras podiam ter condições razoáveis. Na ínsula de Herculano, o esgoto era instalado até o último andar.

No andar mais baixo, as condições eram muito mais confortáveis. Nem sempre esse “luxo” era reservado à classe média alta. Era comum que os romanos sublocassem
seus apartamentos, criando cortiços — e um transtorno para os donos e as autoridades.

No solo, geralmente havia negócios diversos. A cozinha doméstica era um luxo
raríssimo, e um enorme risco numa ínsula. A maioria dos romanos comprava comida fora, nos thermopolia, os precursores dos restaurantes modernos.


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