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Judeus como ratos e alemães como gatos: conheça a HQ que denunciou os horrores do Holocausto

A aclamada obra Maus, do cartunista Art Spiegelman foi vencedora do renomado Prêmio Pulitzer, em 1992

Victória Gearini Publicado em 24/02/2021, às 15h09

Capa original da obra Maus
Capa original da obra Maus - Wikimedia Commons

Considerada a primeira e única história em quadrinhos a ganhar o Prêmio Pulitzer, a obra Maus foi feita pelo cartunista Art Spiegelman, filho de um sobrevivente do Holocausto. Neste memorável livro, o autor ilustra a Segunda Guerra Mundial de forma simbólica, apresentando judeus como ratos, alemães como gatos, poloneses como porcos e norte-americanos como cachorros. 

Carreira como cartunista 

Nascido em 15 de fevereiro de 1948, na Suécia, Art Spiegelman é filho de judeus poloneses, que sobreviveram ao brutal campo de concentração de Auschwitz. Após o fim da guerra, a família mudou-se para os Estados Unidos, onde recomeçaram uma nova vida. 

Ainda na adolescência, o autor desenvolveu interesse por quadrinhos, aprimorando o talento para a arte. Já na década de 1970, o cartunista tornou-se símbolo do movimento underground dos comixs nos Estados Unidos. 

Em 1972, Spiegelman foi convidado para contribuir para a primeira edição de uma revista em quadrinhos. Em um primeiro momento, o artista pensou em desenvolver uma história voltada para assuntos raciais que estavam em alta na época. Contudo, o autor mudou de ideia e decidiu ambientar a HQ no triste cenário da Segunda Guerra Mundial.

Trecho de Maus / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao concluir a tirinha, ele a mostrou a seu pai, que lhe deu outras informações sobre este período. Tal fato despertou o interesse do artista, que a partir disso começou a pesquisar ainda mais sobre o assunto. Nos anos seguintes, Spiegelman coletou diversas entrevistas de sobreviventes e especialistas que o inspiraram a desenvolver a obra Maus.

A narrativa 

A história é divida em duas linhas do tempo que conversam entre si. A trama apresenta judeus como ratos, alemães como gatos, poloneses como porcos e norte-americanos como cachorros. 

Em geral, a obra retrata todos os horrores do Holocausto a partir dos relatos pessoais do pai de Spiegelman, sobrivente de Auschwitz. Contudo, por diversas vezes, o ator interrompe a narrativa para levar o leitor a ter dúvidas e inquietações. 

Trecho de Maus / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com um valor histórico inegável, a HQ apresenta, ainda, um protagonista marcado pelos traumas vividos durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, o personagem principal é apresentado como um homem valoroso e destemido.

O sucesso da obra 

Na década de 1980, o primeiro capítulo da obra foi inserido na segunda edição da revista Raw. Mais tarde, os capítulos seguintes apareceram nas outras edições. Após ser amplamente elogiada pela crítica do New York Times, Maus foi publicada pela editora Pantheon Books.  "Uma história épica contada em minúsculos desenhos", escreveu o New York Times.

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Maus, de Art Spiegelman (2005) / Crédito: Divulgação / Quadrinhos na Cia

"Maus é uma obra-prima. Como todas as grandes histórias, diz mais sobre nós mesmos do que poderíamos imaginar", publicou a crítica do site The Guardian.

Já em 1992, a HQ tornou-se o primeiro e único livro em quadrinhos a ganhar o conceituado Prêmio Pulitzer. Atualmente, a trama é considerada uma das maiores obras-primas dos últimos tempos. 

"Um triunfo modesto, emocionante e simples - impossível descrevê-lo com precisão. Impossível realizá-lo em qualquer outro meio que não os quadrinhos", escreveu o Washington Post.

No Brasil, o livro foi relançado em 2005, pela Quadrinhos na Cia, com a tradução de Antonio de Macedo Soares. Nesta edição, a editora reuniu as duas partes do livro em um único volume.

Além disso, dado o sucesso, ainda hoje a obra encontra-se em primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon, na categoria Graphic Novels. 


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