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Lago Natron: as misteriosas múmias petrificadas da Tanzânia

Com temperaturas altas, o lago transforma em pedra qualquer animal que decide dar um mergulho despretensioso

Penélope Coelho Publicado em 06/04/2020, às 07h00

Flamingo petrificado no lago
Flamingo petrificado no lago - Divulgação

O Lago Natron, situado ao norte da Tanzânia, próximo da fronteira com o Quênia, no Grande Vale do Rift, é um dos lugares mais tranquilos da África. Mas, as aparências enganam: suas águas possuem um segredo fatal.

Devido à composição química rara, o lago acaba petrificando os animais que entram nele. O fotógrafo e especialista no continente africano, Nick Brandt, produziu algumas imagens das estátuas de animais que morreram no lago, sua obra viralizou na internet e gerou curiosidade para entender o que esse lago tem.

Uma pomba calcificada / Crédito: Divulgação 

 

Na publicação intitulada Por Toda a Terra Devastada, o fotógrafo escreveu: “Eu inesperadamente encontrei as criaturas – todo tipo de pássaros e morcegos – ao longo da costa do Lago Natron, no norte da Tanzânia. Ninguém sabe ao certo exatamente como eles morrem, mas parece que o lago reflete bastante a luz e isso os confunde. Assim como pássaros que colidem contra janelas de vidro, esses caíram dentro do lago”.

David Harper, ecologista da Universidade de Leicester que visitou o Lago Natron quatro vezes, chegou à uma conclusão em suas pesquisas sobre o local: "Se um corpo cai em outro lugar, ele se decompõe muito rapidamente, mas na beira do lago, fica incrustado em sal e dura para sempre". 

Segredo revelado

Segundo o programa de televisão americano, Discovery News, isso tem uma explicação científica. As águas do lago possuem um pH extremamente alcalino, que fica entre 9 e 10,5. O alto nível cáustico pode causar grandes danos, queimar a pele e os olhos dos animais.

Isso acontece devido ao carbonato de sódio e outros minerais, que vão parar dentro do lago, em decorrência de materiais que vêm das colinas próximas ao rio. Isso foi causado por um vulcão que fica ao sul do lago, fazendo com que o escoamento das cinzas acabe escorrendo em suas águas.

Andorinha calcificada no Lago Natron / Crédito: Divulgação 

 

As múmias do lago 

O carbonato de sódio já foi usado em processos de mumificação no Egito, o que gerou aos animais mortos no lago a fama de múmias. Já que os seres que por lá morrem, ficam conservados e automaticamente se tornam estátuas salinas.  

O nível da água é naturalmente baixo, fazendo com que muitos pássaros, morcegos e insetos - que tentem atravessar o rio acabem caindo e morrendo. Outro fator que interfere é a temperatura, o lago está em uma região muito quente, e suas águas podem atingir até 60 graus, causando queimadura nos animais. Pelo calor, quando o nível da água cai ainda mais, os bichos mortos ficam nas beiradas do lago - deixados exatamente como o fotógrafo Nick Brandt, os encontrou.

A alta taxa de mortalidade parece não assustar algumas espécies como, por exemplo, os flamingos-pequenos. Eles conseguem sobreviver nessa região e se alimentam das cianobactérias do lago. A reprodução dos flamingos cresce a cada dia, já que quanto maior a salinidade do lago, maior o número das bactérias, e por consequência, os ninhos de flamingos aumentam na região. Além dessa espécie, as tilápias também ocupam às nascentes de água quente do lago. Sendo um dos poucos animais que conseguem sobreviver.

Esse é um dos únicos lagos alcalinos da África e suas águas não desaguam em outros lagos e oceanos. Devido à sua biodiversidade única, a Tanzânia incluiu a bacia do Lago Natron na Lista das Terras Húmidas de Importância Internacional, desde 4 de Julho de 2001.


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