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Poderosa, mas tragicamente inútil: Conheça a curiosa Linha Maginot

Erguida pelos franceses, a fortificação subterrânea era imponente, mas não apresentou qualquer desafio para os alemães

Fabiano Onça Publicado em 17/09/2021, às 10h00

Um dos corredores da Linha Maginot
Um dos corredores da Linha Maginot - Pascal Dihé/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

No total, a imponente Linha Maginot tinha cerca de 200 km de comprimento, extendendo-se desde a fronteira com a Suiça até a floresta de Ardennes, na Bélgica. Construído pelos franceses, o complexo de fortalezas militares que se interligavam no subterrâneo tinha o objetivo de evitar a invasão germânica.

Cento e oito grandes fortes subterrâneos guardavam a linha de 15 em 15 km. Havia 410 casamatas para infantaria, 152 torres móveis e 1.536 cúpulas fixas e 339 peças de artilharia. Tudo estava interligado por 100 km de galerias subterrâneas.

As obras da Linha Maginot foram iniciadas, em 1929, após um grande lobby de André Louis René Maginot, ministro da guerra francês. Natural da Lorena, ele testemunhara sua terra natal ser arrasada na Primeira Guerra Mundial e via com desconfiança o reerguimento da Alemanha. Ele não veria o fim de sua obra.

Em 1932, aos 55 anos, morreu de febre tifoide. Em maio de 1940, os alemães declararam guerra à França e, em vez de atacar a poderosa linha, a contornaram, passando pela Bélgica. Menos de 2 meses depois, a França capitulava e as guarnições da Linha Maginot tiveram que se render, muitas sem ter disparado nenhum tiro.

Fotografia de um forte da Linha Maginot, em 1944 / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Para evitar uma grande explosão, os paióis de munição eram divididos em 3 áreas separadas. A principal, a M1, tinha 7 câmaras e abrigava 3 mil projéteis. A segunda, ao pé de cada bloco de combate, chamada M2, guardava 2,8 mil. E a terceira, dentro da própria sala de combate, tinha espaço para mais 600 projéteis.

A fortaleza possuía apenas 2 entradas. Uma para as tropas e 1 para as munições. As 2 ficavam localizadas atrás da fortaleza, voltadas para a França, escondidas por bosques. Ainda assim, ambas as entradas eram protegidas por peças antitanque, que ficavam apontadas para a estrada de acesso.

Pensando nos ataques com gás da Primeira Guerra, os fortes possuíam um sistema de ventilação que expelia o ar do forte em caso de um ataque deste tipo. O sistema ainda limpava o ar da fumaça dos canhões e do cheiro das máquinas a diesel. O ar era renovado com filtros de ar, com o tamanho das atuais máquinas de lavar louça.

Várias baterias de artilharia, incluindo canhões de 75 mm e outras peças auxiliares, como metralhadoras e obuses, compunham o poder de fogo de um forte. Geralmente, as peças ficavam em cúpulas de aço especialmente forjadas, que giravam 360º e eram operadas por 2, 3 ou 4 soldados.

Em tempos de guerra, uma típica guarnição de forte era composta de 812 homens: 27 oficiais, 107 cabos, 587 soldados, 161 engenheiros e outros 97 oficiais não combatentes, como médicos e técnicos. Os dormitórios ficavam muitas vezes a 30 metros do solo, mas eram dotados de água corrente. Os dejetos eram tratados com produtos químicos.

A energia elétrica era vital para o funcionamento da fortaleza. Por isso, além dos meios tradicionais para a distribuição dela, cada forte possuía 4 grupos de gerador Sulzer a diesel, cada um com 290 cavalos de força e 250 kilowatts, capazes de operar por até 2 meses. Oito reservatórios de água, num total de 400 m3, garantiriam a sobrevivência da guarnição até a chegada de reforços.

Para transportar a munição e as tropas, as fortalezas dispunham de pelo menos 4 pequenas locomotivas Vetra de 5,5 toneladas, que puxavam 57 vagonetes pelos trilhos subterrâneos. Esse sistema era comumente chamado de metrô pelos soldados.


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