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O harém de Kadafi: livro revela a saga das escravas sexuais do ex-ditador da Líbia

Escrita pela jornalista Annick Cojean, a obra denuncia os abusos sexuais cometidos pelo sádico tirano

Victória Gearini Publicado em 28/08/2020, às 09h04

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação / Pixabay

Muammar Kadafi foi um militar e político que governou a Líbia entre 1969 e 2011. Seu governo ficou marcado pelo abuso do poder e despotismo anti-humanitário, entretanto, o ditador escondia um mais segredo sombrio: um harém com escravos sexuais de ambos os sexos. 

Com uma estrutura sistemática de exploração e tráfico de pessoas na Líbia, Kadafi estuprou diversas mulheres e homens. Os insólitos relatos só foram descobertos após a sua morte, em outubro de 2011, quando Soraya, uma das vítimas, contou à jornalista Annick Cojean todos os horrores que vivenciou. 

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Obra O harém de Kadafi, de Annick Cojean (2013) / Crédito: Divulgação / Editora Verus

Na época, Annick Cojean foi enviada pelo jornal Le Monde para cobrir a revolta no país. Durante sua apuração, a jornalista conheceu Soraya, uma jovem que tinha apenas 15 anos quando Kadafi foi visitar sua escola e a escolheu. Na ocasião, o ditador lhe estendeu um buquê de flores e colocou a mão em sua cabeça, acariciando seus cabelos. A partir daquele momento, a vida de Soraya tomou outro rumo. 

A garota contou à Annick Cojean que, durante sete anos, ela foi estuprada, torturada e forçada a consumir álcool e cocaína. Mais tarde, Soraya foi integrada às tropas das "amazonas" de Kadafi. O abuso de drogas era comum e recorrente, para que as substâncias ilícitas ajudassem a estimular a megalomania sangrenta do ditador e o cruel abuso sexual de jovens. 

Para investigar a fundo essa história, Annick Cojean arriscou sua vida se infiltrando nesta sociedade. Durante sua pesquisa a jornalista se deparou, ainda, com um ambiente dilacerado pela prostituição, corrupção, terror, estupros e assassinatos, sendo até hoje um assunto considerado tabu na Líbia. 

A obra O harém de Kadafi, de Annick Cojean, foi lançada no Brasil em 2013 pela Editora Verus. Disponível na Amazon em ebook Kindle e capa comum, este livro deu voz às vítimas do ditador líbio para que contassem suas histórias ao mundo. Cojean, por sua vez, busca com este documento, devolver um pouco da dignidade das mulheres que tiveram suas vidas destruídas por Kadafi. 

Confira abaixo o trecho inicial da obra O harém de Kadafi (2019): 

“Nasci em em Marag, povoado da região de Jebel Akhdar, a montanha Verde, não muito distante da fronteira com o Egito. Era 17 de fevereiro de 1989. Sim, 17 de fevereiro! Para os líbios é impossível ignorar essa data: foi o dia em que eclodiu a revolução que tirou Kadafi do poder, em 2011. Em outras palavras, um dia destinado a virar feriado nacional, ideia que muito me agrada. 

Três irmãos vieram antes de mim, e outros dois nasceram depois, assim uma irmãzinha. Mas eu fui a primeira menina, e meu pai exultava de alegria. Ele queria uma menina. Queria uma Soraya. Tinha esse nome em mente bem antes de se casar com a minha mãe. Ele me falou muitas vezes de sua feliz emoção no momento que veio me ver”.


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O harém de Kadafi, de Annick Cojean (2013) - https://amzn.to/2EFN40p

O silêncio contra Muamar Kadafi, de Andrei Netto (2012) - https://amzn.to/31wiC1I

A morte do símbolo defeituoso da Líbia, de Janvier T. Chando e Janvier Tchouteu (2019) - https://amzn.to/34EIbPW

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