Loira do Banheiro: Uma história

Existem lendas parecidas no mundo todo, mas a que todo mundo aprendeu na escola possivelmente tem uma triste inspiração real

terça 24 abril, 2018
Loira do Banheiro
Loira do Banheiro Foto:Shutterstock

Quem viu (ou leu) a série Harry Potter deve ter coçado a cabeça com a personagem Murta Que Geme, um fantasma no banheiro.

Ela traz à mente uma recordação da infância de quase todos os brasileiros. Quem quer que tenha passado pela escola ouviu falar da famigerada loira do banheiro, uma morta-viva cuja aparência e método para ser invocada variava e ainda varia de escola para escola.

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Não é que J.K. Rowling tenha pirateado nossa cultura. Ela afirmou que simplesmente se inspirou em moças vivas chorando no banheiro. Mas o fato é que fantasmas de banheiro não são exclusividade do Brasil nem da saga Harry Potter.

Loira internacional

Nos países anglo-saxônicos existe a Bloody Mary. Isso foi o apelido de uma rainha real, mas, na versão banheiro, é invocada ao se chamar seu nome no espelho três vezes. Talvez por importação, o mesmo método pode ser usado para a loira do Brasil. Nas versões mais elaboradas, o ritual envolve bater a porta, abrir as torneiras e dar a descarga três vezes.

Maria Tudor, conhecida como Bloody Mary pela perseguição aos protestantes Domínio Público

O Japão não tem uma, mas no mínimo seis lendas de criaturas sobrenaturais que assolam os banheiros. A mais próxima da brasileira é Hanako-san, uma estudante que teria sido morta num ataque aéreo durante a Segunda Guerra. É uma garota pequena com uma saia vermelha que aparece no terceiro sanitário do banheiro do terceiro andar e aparece se alguém perguntar por ela três vezes.

Guaratinguetá, o epicentro da Loira

A nossa loira, numa das versões mais comuns, seria uma estudante mal aplicada que matava aula no banheiro, até o dia em que escorregou e bateu a cabeça na privada, passando para uma eternidade de assombrações. Haja desastre para haver uma dela em cada escola.

Ou bastou um só, que foi bem registrado. Em Guaratinguetá, cidade do Vale do Paraíba, em São Paulo, conta-se uma versão bem mais detalhada de sua história. A loira seria na verdade a filha de um fazendeiro de café – Maria Augusta de Oliveira. Sabe-se o nome porque sua tumba virou uma atração turística.

Maria Augusta de Oliveira, que, vejam só, era ruiva Domínio Público

Ela teria, diz a lenda, sido casada à força aos 14 anos e daí fugido para Paris e morrido lá, de raiva (a doença, não a emoção) aos 26 anos, em 1891. Voltando ao Brasil, enquanto o mausoléu era preparado, seu corpo embalsamado ficou numa esquife de vidro no casarão da família por tanto tempo que começou a se desidratar. Então se passou a dizer que ela saía de noite para beber água. O casarão se tornaria a Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves em 1902 (o que é um fato). Essa escola seria o epicentro da lenda no Brasil.

Fábio Marton


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