Curiosidades » Personagem

Luto e dor perpétua: os momentos finais de Dona Amélia, imperatriz consorte de Dom Pedro I

A duquesa deixou o Brasil após a abdicação do rei, mas foi abandonada grávida e terminou a vida de modo triste e recluso

Vanessa Centamori Publicado em 17/05/2020, às 08h00

Dona Amélia, imperatriz consorte de Dom Pedro I
Dona Amélia, imperatriz consorte de Dom Pedro I - Wikimedia Commons

Amélia de Leuchtenberg, a imperatriz consorte brasileira, viveu no palácio de São Cristóvão tratando de refinar os costumes e protocolos reais. Impôs o francês à corte como língua oficial e repaginou a culinária e a moda.

Entre tantas cores de vestido, a que mais lhe agradava era a tonalidade rosada. Mas a sua vida, infelizmente, teve um fim nada cor-de-rosa. 

A abdicação 

Uma enorme turbulência política e econômica eclodia, pouco antes de estourar uma crise que marcou os livros de história para sempre. Dois anos após a imperatriz se casar com Dom Pedro I, no dia 7 de abril de 1831, o rei abdicou, deixando o trono para seu filho, Pedro de Alcântara (D. Pedro II). 

O herdeiro do trono na época tinha apenas 5 anos de idade e passou a chamar Amélia, que era a madrasta, de "mamãe". Como, obviamente, o pequeno príncipe não podia governar, a responsabilidade de orientá-lo para seu futuro reinado ficou para seu tutor, José Bonifácio. 

Dona Amélia se viu sem seu título de imperatriz e grávida. Não bastasse os desconfortos e enjoos, ela teve que seguir com Dom Pedro I de navio para a Europa, passando por complicações na viagem, que além de longa era desconfortável. Ambos foram até a França, pois tinham muitos amigos e parentes franceses. 

O casal e outros membros da realeza chegaram finalmente em Cherburgo, em 10 de junho de 1831. Foi dada uma salva de 21 tiros de canhão, em celebração. Na época, até parecia um recomeço para o casal.

A prefeitura da cidade ofereceu um palácio para abrigá-los, mas o imperador decidiu abandonar sua esposa grávida e ir para Londres. Visto isso, Amélia se reuniu com a filha de Dom Pedro I, Dona Maria da Glória, e ficou em Paris, juntamente com sua outra enteada, Dona Isabel Maria, a Duquesa de Goiás.

A imperatriz finalmente deu à luz uma linda menina, a pequena Maria Amélia de Bragança. Enquanto isso, o pai, D.Pedro I, lutava contra seu próprio irmão, Miguel I, pelo trono português. Um tempo depois, com notícia da vitória do marido, Dona Amélia partiu para Portugal, retornando em 22 de setembro de 1833.

Amélia de Leuchtenberg e sua filha, Maria Amélia de Bragança / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Após a morte de Dom Pedro I, que veio a contrair tuberculose, morrendo em 24 de setembro de 1834, Amélia não se casou de novo. A filha da duquesa, tragicamente, faleceu do mesmo motivo, aos 22 anos de idade, logo após se casar com o arquiduque Maximiliano da Áustria. 

O óbito precoce de sua única filha biológica afetou tragicamente a mãe, que visitava o túmulo de Maria Amélia todos os anos no aniversário de morte da jovem. Nocauteada pelo luto, a dama foi morar isolada no Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa.

Dona Amélia ganhou forças revivendo lembranças de entes queridos e realizando ações  beneméritas. No começo da década de 1870, ela começou a sentir enorme debilidade física e passou a pensar na morte. Em seguida teve febre e acessos de bronquite.

Ganhou um consolo final ao receber a visita da irmã, Josephine de Leuchtenberg, rainha da Suécia, e de D. Pedro II e D. Teresa. Fazia mais de quarenta anos desde que não via o enteado - Pedro de Alcântara tinha crescido e muito, afinal já se tornara rei. O reencontro foi emocionante. 

Após esse episódio, tudo foi por água abaixo: as dores físicas da velhice se somavam às psicológicas do luto, pela perda de entes queridos. A Duquesa de Bragança, aos 60 anos, dizia adeus aos vestuários cor-de-rosa. Os dias passavam num ritmo lento. Até que ela foi visitada pela morte, em 1873.

Múmia de Dona Amélia / Crédito: Divulgação/Beatriz Monteiro

 

Quase um século e meio depois, em 2012, a pesquisadora Valdirene Ambiel estudou os remanescentes humanos dos primeiros imperadores do Brasil como parte de sua dissertação de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP). O estudo pode ser acessado aqui

Ela teve a colaboração de vários especialistas (de biógrafos e escritores a um médico legista e um arquiteto). Também contribuíram diversas entidades, entre elas, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), assim como o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF/USP), o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP) e o Instituto de pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). 

Durante essa pesquisa, Ambiel analisou o cadáver da antiga imperatriz, notando que ele estava mumificado. Ela pontou que aquilo foi um “acidente de percurso”, já que Dona Amélia foi conservada somente para durar alguns dias antes do funeral. Seu corpo, porém, permaneceu eternizado - assim como sua vida, que entrou pra história. 


+ Saiba mais sobre a Família Imperial através das obras abaixo disponíveis na Amazon:

As barbas do Imperador, de Lilia Moritz Schwarcz - https://amzn.to/2Qkj7Xk

O Castelo de Papel: Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d’Eu, de Mary del Priore - https://amzn.to/2NPEY7z

O reino que não era deste mundo: Crônica de uma República Não Proclamada, de Marcos Costa - https://amzn.to/2XczYga

Princesa Isabel do Brasil, de Roderick J. Barman - https://amzn.to/33WS8Fv

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du