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Madam C. J. Walker: 5 curiosidades sobre a primeira milionária negra da História

Conheça a trajetória da mulher que, de filha de escravos, tornou-se dona de um império nos EUA com produtos de cabelo para afro-americanas

Isabela Barreiros Publicado em 19/08/2020, às 16h49

Octavia Spencer como Madam C.J. Walker na série A Vida e a História de Madam C.J. Walker (2020) da Netflix
Octavia Spencer como Madam C.J. Walker na série A Vida e a História de Madam C.J. Walker (2020) da Netflix - Divulgação/Netflix

Os Estados Unidos foram marcados por desigualdades raciais institucionalizadas durante anos. As Leis de Jim Crow, por exemplo, foram perpetuadas desde o final do século 19 e início do século 20 no sul do país até 1965, quando foram, enfim, revogadas.

Mesmo sem as leis que estabeleciam a falta de direitos, a situação não mudou muito para as pessoas negras do país. O contexto ainda era de inferiorização, e, mesmo assim, Sarah BreedLove conseguiu converter todas as lógicas da sociedade estadunidense. Ela se tornou a primeira milionária negra da História.


1. De filha de escravos à milionária

Retrato de Madam C.J. Walker/ Crédito: Wikimedia Commons 

 

Sarah era filha de pais escravizados, mas foi a primeira dos seus irmãos a nascer em liberdade. Sua mãe deu à luz em 23 de dezembro de 1867, poucos após a Proclamação de Emancipação, que aboliu a escravidão em 1863. Ainda assim, o fim da exploração não mudou o que os pais da menina haviam sofrido devido ao trabalho forçado em uma fazenda de algodão na Louisiana, falecendo precocemente.

Com isso, Sarah ficou órfã já aos sete anos de idade e passou a morar com sua irmã mais velha em uma cidade no Mississippi. Trabalhando como empregada doméstica em inúmeras casas da região, a menina teve sua infância sugada pouco a pouco. O último resquício, no entanto, foi-se embora quando ela teve de se casar aos — apenas — 14 anos.


2. Relacionamento abusivo

A jovem se casou muito cedo, mas não passou a vida inteira ao lado de seu então marido. O homem faleceu dez anos depois da consolidação da união, em 1887, quando o casal já tinha tido sua primeira filha, A’Leila, que acompanhou a mãe no enterro do pai.

Alguns anos após a morte do ex-esposo, Sarah uniu-se novamente em matrimônio, já aos 27 anos. No entanto, dessa vez, as coisas ficaram muito mais difíceis para ela. Seu novo marido, John Davis, era muito agressivo e a agredia. O relacionamento abusivo dos dois, que contava com constante violência doméstica, fez com que ela fugisse para o Missouri, junto com sua filha, em 1905.


3. A ideia do milhão

Sarah passou a trabalhar como lavadeira, mas, quando conheceu a empresária Annie Malone, dona de marca de cosméticos para cabelos afro, teve sua vida mudada por completo. Ela passou a trabalhar como revendedora dos produtos especializados, no entanto, percebeu que eles não eram tão milagrosos como afirmavam.

Então, a mulher sugeriu uma parceria a Annie, que não a aceitou. Com a negativa da chefe, ela decidiu que desenvolveria sua própria fórmula, com o intuito de criar sua linha de cuidados capilares, especialmente para mulheres negras. E foi isso que ela fez, ainda naquele ano, ouvindo seu rápido insight empreendedor.


4. Deu tudo certo

Produtos de cabelo da Madam C.J. Walker / Crédito: National Museum of African American History and Culture

 

Sarah, que se transformou em Madame C.J. Walker, ouviu sua ideia e colheu os resultados do sucesso: vendendo seus cosméticos essencialmente para mulheres negras, construiu um enorme império. Ela investiu na propaganda, conquistou as manchetes e, melhor ainda, o mercado.

Além dos produtos, que levavam seu novo nome, a empresa da mulher abriu ainda um salão de beleza e uma fábrica em Indianópolis. Ela crescia cada vez mais, e os frutos disso foram seu enriquecimento, mas, também investimento em causas em que ela acreditava. Dentro de sua mansão de 34 cômodos, fazia muito mais que vender cosméticos.


5. Muito além do cosmético

Madame C.J. Walker vendia um novo estilo de vida possível para as mulheres negras que viviam em um Estados Unidos tão desigual e excludente. Mas mais que isso, ela também auxiliou as pessoas que se pareciam com ela, oferecendo empregos e tirando, ao longo de sua vida, mais de 40 mil afro-americanas da pobreza.

Além de empreendedora, foi também filantropa e ativista. Ela doou muito de seu dinheiro a causas humanitárias, tornou-se patrona das artes e até mesmo abrigou a primeira convenção de empresárias negras da história, incentivando-as à luta por seus direitos. Sua militância também foi muito importante, discursando na Liga Nacional de Negócios Negros (NNBL) em 1912. Hoje, seu legado permanece e sua história é lembrada ao redor do mundo.


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