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Mais de 100 tiros: há 87 anos, Bonnie e Clyde eram mortos pela polícia

No dia 23 de maio de 1934, a execução do casal de criminosos foi transformada em um verdadeiro show de horrores, conforme milhares de pessoas tentavam ver seus corpos de perto

Pamela Malva Publicado em 23/05/2021, às 08h00

Fotografias de Bonnie Parker e Clyde Barrow
Fotografias de Bonnie Parker e Clyde Barrow - Departamento de polícia de Dallas/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Bonnie Parker tinha apenas 19 anos quando conheceu o garoto que seria a sina de sua vida. Com um rosto gentil, Clyde Barrow tinha 20 anos e já acumulava diversos problemas com a justiça norte-americana. Tamanhos eram os conflitos com a polícia que, depois de se encontrarem pela primeira vez, o jovem foi preso de novo, em 1930.

O casal, que logo se tornaria a dupla de criminosos mais conhecida da história, se reencontrou apenas dois anos mais tarde, quando deram início a sua vida de crimes. Juntos, eles formaram gangues que espalharam o terror pelo Kansas e por Texas.

Com cúmplices jovens, como o WD Jones, de apenas 16 anos, eles roubaram lojas, furtaram carros e cometeram assassinatos. Há exatos 87 anos, no entanto, a saga criminosa de Bonnie e Clyde acabou em um episódio grotesco e amplamente explorado pela mídia, no qual o casal de jovens terminou alvejado pelos oficiais do Texas.

Retrato de Bonnie e Clyde juntos / Crédito: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

 

Como agulhas em um palheiro

Já fazia meses que Frank Hamer, o ex-capitão do Texas Ranger, buscava pelo casal de criminosos. Bonnie e Clyde, no entanto, sempre escapavam de suas emboscadas. Sendo assim, encontrar e deter a Gangue Barrow, àquela altura, já era questão de honra.

Quando as autoridades de Louisiana fizeram um acordo com Henry Methvin, um antigo membro da gangue, então, Hamer duplicou suas expectativas. Sob a promessa de que seria perdoado pelos crimes que havia cometido, o jovem entregou o infame casal.

Foi assim que os oficiais descobriram que, além de sempre usarem as mesmas rotas de fuga, Bonnie e Clyde ainda desenhavam seus itinerários pensando em visitar suas famílias. Dessa forma, Hamer e seus parceiros criaram um plano que parecia infalível.

Bonnie e Clyde, criminosos dos Estados Unidos / Crédito: FBI/ reative Commons/ Wikimedia Commons

 

Uma data inesquecível

Naquele dia 23 de maio de 1934, Bonnie, então com 23 anos, e Clyde, aos 25, sequer imaginavam estar sendo observados pela polícia. Às 9h15 da manhã, o casal viajava pela Rodovia Estadual, em Louisiana. No banco do passageiro, a mulher comia um sanduíche, enquanto seu namorado dirigia descalço, sem quaisquer armas em mãos.

De repente, policiais do Texas e de Louisiana irromperam de seus esconderijos na mata, armados até os dentes. Cerca de 130 tiros foram disparados contra o Ford V8 que Clyde dirigia, sendo que pelo menos um quarto deles atingiu os corpos do casal.

“Cada um de nós, seis policiais, tinha uma espingarda, um rifle automático e pistolas. Abrimos fogo com os rifles automáticos. Eles foram esvaziados antes que o veículo chegasse perto. Havia fumaça saindo do carro e parecia que estava pegando fogo”, narraram os oficiais Hinton e Alcorn à época, segundo Dallas Dispatch.

Carro do casal completamente baleado / Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Sem piedade

Clyde morreu imediatamente, com um tiro na cabeça. Em relatório oficial, o médico legista Dr. JL Wade afirmou que encontrou 17 ferimentos de balas no corpo do jovem, enquanto Bonnie foi alvejada por 26 disparos. Ela faleceu logo depois do namorado.

De acordo com o jornal Texashideout, Frank Hamer foi até o carro depois de ouvir os gritos de dor de Bonnie, que estava gravemente ferida. Com a jovem dentro do carro, ele esvaziou o pente de sua arma. "Eu odeio atirar em uma mulher, especialmente quando ela estava sentada. No entanto, se não fosse ela, teríamos sido nós", revelou ele.

A notícia da morte de Bonnie e Clyde se espalhou rapidamente. Ninguém acreditava que o casal fora pego. Registros do Dallas Journal revelam que, naquele mesmo dia, multidões viajaram para Dallas de trem, a cavalo ou de charrete. Cervejas e sanduíches se esgotaram em segundos, enquanto a plateia aumentava consideravelmente.

Fotografia do carro do casal no dia da emboscada / Crédito: Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Um show de horrores

Ao chegar no local onde Bonnie e Clyde foram alvejados, o legista encontrou uma cena terrível. Segundo o Southern Illinois University Press, pessoas que mal conheciam o casal tentavam coletar souvenirs de dentro do carro. Cartuchos, pedaços das janelas e das roupas dos jovens foram levados. Um homem até tentou cortar a orelha de Clyde.

Espantados os oportunistas, Henry Barrow foi convocado para identificar o corpo de seu filho, de acordo com o Dr. James F. Moshinskie. Devastado e apreensivo, o homem encontrou Clyde em um estado deplorável, com seu rosto angelical destruído pelos tiros.

Ainda que os dois quisessem ser enterrados juntos, Bonnie e Clyde foram separados por suas famílias. No dia do enterro da mulher, em 26 de maio, mais de 20 mil pessoas compareceram ao funeral. Jornaleiros de Dallas lhe enviaram um tributo floral, para agradecer pelos mais de 500 mil jornais vendidos por noticiar sua morte.

Já o enterro de Clyde foi um pouco mais tranquilo, por mais que milhares de pessoas se reunissem na frente da funerária a fim de ver seu corpo. O homem foi sepultado no dia 25 de maio, no Western Heights em Dallas, ao lado de seu irmão Marvin. Finalmente, aquele era o fim do infame casal, que nunca mais saiu dos livros de história.


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