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Maldição e desrespeito: O que aconteceu com a misteriosa tumba de Genghis Khan?

Conhecido como um dos líderes mais controversos da Mongólia, o guerreiro queria ser enterrado em segredo e assim foi feito — quase 800 anos mais tarde, seu túmulo nunca foi encontrado

Pamela Malva Publicado em 07/07/2020, às 19h30

Pintura de Gengis Khan, líder do Império Mongol
Pintura de Gengis Khan, líder do Império Mongol - Wikimedia Commons

Em 2007, um estudo russo afirmou que cerca de 34,8% da população da Mongólia na época era descendente Gengis Khan, um antigo líder do país. Com uma história repleta de violência, sangue e vingança, ele governou o Império Mongol entre 1206 e 1227.

Conhecido como um dos regentes mais controversos da história, Genghis Khan é considerado o maior herói da Mongólia. Apesar de ter matado cerca de 10% da população mundial à sua época, ele ergueu um império do zero e trouxe a modernidade.

Do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio, Genghis Khan ligou o leste ao oeste montado em seu cavalo e permitiu que a Rota da Seda prosperasse. Foi em seu governo que os conceitos de imunidade diplomática e liberdade religiosa foram consagrados.

Como lenda, o líder morreu em 18 agosto de 1227, deixando seu amado reino para trás. Para seu último desejo, exigiu que fosse enterrado em segredo. Assim, mesmo 793 anos depois de sua morte, ninguém nunca encontrou o túmulo de Genghis Khan.

Estátua de Genghis Khan / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Fábulas e passado

Em 1227, um exército leal ao seu governante guiou o cadáver do guerreiro por horas, caminhando pelas planícies e montanhas da Mongólia. Com facas e espadas afiadas em mãos, matavam todos aqueles que cruzavam seu caminho.

A caravana, no fim, enterrou o corpo de Genghis Khan em um local desconhecido, nunca catalogado ou registrado. Ninguém além dos militares soube o destino do corpo do líder e viajantes tinham suas vidas ceifadas, como forma de proteger a localização.

A ausência de documentos e a falta de conhecimento acerca do paradeiro do guerreiro, no entanto, não impediram que fábulas fossem criadas sobre o tema. Principalmente no exterior, dezenas de teorias tentam descobrir onde Genghis Khan está enterrado.

Uma delas, inclusive, sugere que o governante foi sepultado na montanha de Burkhan Khaldun. Estudiosos, no entanto, já encontraram diversos montes com esse nome, nenhuma com qualquer indicação do enterro de um líder.

Gravura de Genghis Khan / Crédito: Getty Images

 

A lenda de um guerreiro

Diversos entusiastas da história da Mongólia afirmam que o túmulo de alguém tão poderosos como Genghis Khan estaria recheado com tesouros que remontam a todo o Império Mongol. Assim, seria imprescindível que ele fosse encontrado e estudado.

O interesse estrangeiro em torno da sepultura, portanto, segue intenso há anos, desde que a lenda foi redescoberta. A National Geographic, por exemplo, já usou imagens de satélites para tentar encontrar a tumba, no Projeto Vale do Khans.

Existe, no entanto, uma pressão cultural enorme que dificulta ainda mais o descobrimento do local do enterro. Para os mongóis, tudo se resume ao respeito que o país tem pelo líder. Genghis Khan não queria ser encontrado e, dessa forma, procurar pela tumba violaria seu último desejo.

Segundo estudiosos estrangeiros, até mesmo uma maldição foi criada em torno da caça pelo túmulo do guerreiro. Nesse sentido, caso o caixão de Genghis Khan fosse aberto, uma onda irreversível de maus-presságios atingiria a Mongólia.

Imagem meramente ilustrativa de guerreiros mongóis / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Expedições e frustrações

Em meados de 1990, o chefe do Departamento de Arqueologia da Universidade Estadual de Ulaanbaatar, Dr. Diimaajav Erdenebaatar, não mediu esforços para tentar encontrar a tumba de Genghis Khan. Foi assim que a primeira expedição teve início.

Chamado de Gurvan Gol, ou Três Rios, o projeto nipo-mongol explorou uma grande parte coberta pelo antigo Império Mongol em busca do túmulo. Eles passaram, por exemplo, pelo local de nascimento do guerreiro, a província de Khentii.

No mesmo ano em que a expedição foi iniciada, no entanto, a Revolução Democrática da Mongólia aconteceu. Com ela, o país rejeitou seu governo comunista e qualquer busca por Genghis Khan. Na época, protestos públicos interromperam o Gurvan Gol.

Dr. Erdenebaatar, todavia, nunca desistiu. Em 2001, começou a escavar um cemitério de 2 mil anos em Arkhangai, a procura de pistas sobre o paradeiro de Genghis Khan. Ele acredita que os enterros de ancestrais mongóis podem ilustrar como era a tumba do líder. Até hoje, no entanto, a sorte não mostrou estar ao seu favor.


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