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Maldição, febre e alucinações: a melancólica morte de Leopoldina de Bragança

Filha de Dom Pedro II, a jovem abdicou de seu título para se casar e, com quatro filhos, partiu de uma forma cruel e precoce

Pamela Malva Publicado em 07/06/2020, às 10h00

Foto de Leopoldina de Bragança, filha de Dom Pedro II
Foto de Leopoldina de Bragança, filha de Dom Pedro II - Wikimedia Commons

Enquanto ainda era governante de Portugal, Dom João IV passou por uma situação que afetaria toda sua família. Diz a lenda que, após negar esmolas para um mendigo, o duque fez com que toda a família fosse alvo de uma praga.

Muito mais do que atingir os herdeiros homens do trono, o suposto feitiço rogado pelo mendigo se expandiu para diversas gerações da Família Bragança. Segundo a maldição, nenhum primogênito dos Bragança viveria para chegar ao trono.

Assim, parece que nem mesmo a filha de Dom Pedro II fugiu do destino cruel, centenas de anos mais tarde. Apesar de não ser herdeira direta do trono, a jovem Leopoldina de Bragança teve um fim melancólico sem sequer cogitar a coroa da família.

Leopoldina quando ainda criança / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um trono desviado

Leopoldina de Bragança cresceu ao lado de seus três irmãos e teve uma infância padrão para a monarquia do Brasil Império. Quando chegou à maioridade, no entanto, abriu mão do título de Princesa Imperial para se casar com Luís Augusto.

Em dezembro de 1864, então, Leopoldina seguiu seu coração e subiu no altar ao lado de seu amado, o Duque de Saxe. Dessa forma, abdicou do trono brasileiro tornou-se uma duquesa. Pouco tempo depois, ela engravidou, mas sofreu um aborto espontâneo.

Foi apenas em março de 1866 que o primogênito do casal nasceu. Depois dele, vieram mais três filhos. Como uma unidade íntegra, a família era amorosa e bastante unida: nada poderia abalar os Duques de Saxe e seus sucessores.

Mudança de planos

No auge dos seus 23 anos, Leopoldina começou a sentir uma mudança em seu quadro de saúde. De repente, a filha de Dom Pedro II passou a sofrer de febres altas e dores intestinais intensas. Manchas começaram a aparecer por todo o seu corpo.

Em fevereiro de 1871, médicos foram consultados e os indícios de uma febre tifóide foram identificados. Enquanto isso, a saúde de Leopoldina apenas piorava: ela passou a ter fortes delírios e convulsões, suava frio e tinha diversas alucinações.

Vivendo em Viena na época, ela teve problemas gastrointestinais que não foram associados à água contaminada da capital. A cada dia que passava, a Duquesa encharcava mais lençóis e perdia a consciência gradativamente.

Leopoldina de Bragança, a Duquesa de Saxe / Crédito: Wikimedia Commons

 

Luz branca

Após uma noite calma, o dia 7 de fevereiro de 1871 amanheceu de uma forma melancólica. Às 10 horas da manhã, o Duque de Saxe recebeu uma notícia impossível de esquecer: para os médicos, a saúde de Leopoldina não tinha mais esperanças.

Clementina de Orléans, companheira da Duquesa, seguiu cuidando de Leopoldina mesmo depois do anúncio e manteve-se junto ao leito da mulher enferma. Nesse momento, as coisas estavam mais tranquilas, o clima permanecia terno.

Às 16 horas, no entanto, a Duquesa começou a ficar ofegante. A família toda se ajoelhou em torno da cama e um abade recitou uma oração. Duas horas mais tarde, o pulmão de Leopoldina parou de puxar o ar e seus olhos se fecharam.

De acordo com Clementina, sua feição não mudou. “Ela estava mesmo bela neste momento, e tinha uma expressão angélica”, escreveu, mais tarde. Os filhos de Leopoldina se despediram e empregados tomaram as medidas necessárias.

Leopoldina com um de seus filhos no colo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um tom angelical

Segundo carta enviada por Clementina à princesa de Joinville, Leopoldina foi colocada em um caixão, vestida de seda branca. Na cabeça, uma coroa e o véu de seu casamento. “Ela não mudou, faz bem olhá-la”, narrou.

Cercada por flores frescas e coroas enviadas por diversas princesas que souberam da notícia trágica, Leopoldina foi sepultada na cripta da St. Augustinkirche. Em sua homenagem, o imperador Francisco José I da Áustria decretou luto de 30 dias.

Ainda na carta, Clementina descreveu como Luís Augusto sofria todos os dias pela perda de sua amada. “Me corta o coração, [ele] soluça cada instante, não come, nem dorme, e é uma terrível mudança!”


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