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Máquina de bebês arianos: o papel das mulheres alemãs no Terceiro Reich

Durante a Segunda Guerra, o Führer acreditava que a mulher ideal deveria ser bonita e gerar filhos para uma Alemanha mais pura

Pamela Malva Publicado em 12/05/2020, às 15h00

Um grupo de mulheres alemãs durante a Segunda Guerra
Um grupo de mulheres alemãs durante a Segunda Guerra - Divulgação

Antes da ascensão do nazismo na Alemanha, as mulheres tinham um lugar especial na política e no mercado profissional do país. Entre 1919 e 1933, durante a curta República de Weimar, as alemãs aproveitavam de uma bela liberdade.

Durante todo o período pós Primeira Guerra, as mulheres gozaram de um alto status social. Antas do regime de Adolf Hitler, elas trabalharam livremente e tinham uma enorme importância política no Estado.

Nesse sentido, antes da dominação do Partido Nazista, um total de 35 mulheres eram membros do Reichstag. O número era revolucionário, já que superava o índice de participação feminina nos governos dos EUA e do Reino Unido, por exemplo.

Com o início do Terceiro Reich, no entanto, as mulheres tiveram de assistir toda sua liberdade ir embora, enquanto um regime patriarcal e conservador tomava a Alemanha. De repente, medidas restritivas foram tomadas e o feminismo virou um sonho distante.

Propaganda nazista de mulher e seus filhos considerados puros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Coisa de bruxa

Uma das primeiras coisas que o Führer fez quando chegou ao poder foi destruir toda e qualquer instituição feminista — física ou ideológica. Para Hitler, a ideia de direitos iguais vinha diretamente dos intelectuais judeus e marxistas.

Portanto, as noções de igualdade logo foram anuladas pelo governante e as mulheres ganharam um novo posto, determinado pelo Estado. Para Adolf, era tudo uma questão biológica: as damas simplesmente não podiam competir com os homens.

Em um discurso conturbado, o Führer convenceu suas seguidoras de que estava fazendo o melhor para elas. Com uma propaganda incisiva, ele dizia que inserir mulheres em esferas masculinas as prejudicaria, privando-as de seus direitos.

Dessa forma, Hitler conquistou uma quantidade significativa de mulheres que acreditavam em suas palavras vazias. Em 1933, por exemplo, durante as eleições, as alemãs foram algumas das principais responsáveis pela ascensão do nazismo.

A aviadora Hanna Reitsch durante o regime nazista / Crédito: Wikimedia Commons

 

O papel de uma classe subjugada

Uma vez nas mãos do Führer, as mulheres passaram a ganhar novos cargos na sociedade, nada comparados aos anteriores. Elas quase nunca podiam sair de casa e suas opiniões políticas eram bastante restritas e limitadas.

“A missão das mulheres é ser bonita e trazer crianças ao mundo” disse Joseph Goebbels certa vez. A frase foi levada ao pé da letra e, assim, o papel das mulheres na Alemanha de Hitler foi resumido a criar mais arianos para o regime.

Basicamente, as damas que antes eram independentes, agora buscavam alcançar o sonho do Führer: uma sociedade racialmente pura e homogênea, a Volksgemeinschaft. Apenas algumas delas, da elite, puderam continuar seus trabalhos comuns.

Foto de um lar Lebensborn / Crédito: Wikimedia Commons

Um berçário gigantesco

A fim de promover o nascimento de mais bebês arianos, Hitler, então, criou novos programas e instituições para incentivar a gravidez. A primeira das medidas foi uma medalha de honra dada à todas as mulheres que dessem à luz pelo menos oito filhos.

Em seguida, veio a Liga Nacional Socialista da Mulher. Funcionando como a vertente feminina do Partido Nazista, a Liga deveria ensinar damas a serem boas domésticas — que só poderiam usar produtos fabricados na Alemanha.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Liga Nacional promoveu aulas de culinária, forneceu empregadas domésticas para os militares e ainda distribuiu bebidas nas estações de trem. Tudo isso enquanto homens lutavam nas frentes de batalha.

Outro programa criado foi o Lebensborn, ou Fonte da Vida. Implementado em 1936, a medida incentivava que cada membro da SS produzisse quatro filhos, seja dentro ou fora do casamento. Assim, os lares de Lebensborn para mulheres solteiras e seus filhos foram erguidos na Alemanha, Polônia e Noruega.

Ao final da guerra, meio milhão de mulheres já trabalhavam como auxiliares da Wehrmacht em tarefas administrativas, em equipamentos hospitalares e nas comunicações de defesa. Enquanto isso, centenas de milhares de mães e incríveis profissionais consideradas impuras eram mantidas nos campos de concentração.


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