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Massacre Pedra Bonita: uma inacreditável carnificina no sertão

Em 1838, acreditando na volta do rei Sebastião, seguidores promoveram um brutal episódio que é pouco conhecido na história brasileira

Claudio Suenaga e Pablo Mauso/ Arquivo Aventuras na História Publicado em 04/07/2020, às 08h00

Representação do brutal episódio
Representação do brutal episódio - Marcio de Castro/Aventuras na História

Num acampamento em pleno sertão pernambucano, 17 homens, de repente, sacaram seus facões. Com eles, executaram mulheres, velhos e crianças. Outros, num estado de descontrole, seguiram o exemplo.

Assassinaram seus próprios pais, filhos e esposas. Usaram o sangue para lambuzar duas torres de pedra, marcos do acampamento. As mesmas pedras serviram para quebrar o crânio de crianças. Mais de 200 pessoas foram mortas.

Era 14 de maio de 1838. Os homens em questão, tanto os assassinos quanto os mortos, eram seguidores de uma seita conhecida como Pedra do Reino ou Pedra Bonita.

O episódio, o mais trágico e sangrento dos movimentos sebastianistas brasileiros, inspirou grandes romances de José Lins do Rego, Pedra Bonita, e de Ariano Suassuna, A Pedra do Reino – este, aliás, ganhou os palcos de São Paulo numa montagem teatral. Apesar disso, permanece desconhecido.

O sebastianismo é um movimento místico português iniciado no século 16, que pregava que o rei Sebastião, morto numa batalha, voltaria para ocupar o trono. No Brasil, esses ideais foram incorporados no sertão nordestino – inspiraram até Antônio Conselheiro em Canudos.

A história da Pedra do Reino começou dois anos antes da carnificina, em Villa Bella, comarca de Serra Talhada. Um dia, um rapaz de nome João Antônio Vieira dos Santos afirmou que dom Sebastião habitava um reino encantado perto de um local conhecido como Pedra Bonita.

Em suas pregações, angariou dinheiro dos seguidores e montou um acampamento no tal lugar mítico. Conhecido como Primeiro Reinado da Pedra Bonita, foi marcado por discursos fanáticos e idéias contra o poder e a propriedade privada. As autoridades não gostaram e expulsaram João Antônio de lá.

Dois anos depois, outro homem, João Ferreira, que dizia ter visões de dom Sebastião, assumiu o lugar de João Antônio e continuou a arregimentar pessoas para seu acampamento. O Segundo Reinado da Pedra Bonita teve mais de 300 moradores. A vida nele era um tanto bizarra.

Os habitantes passavam o dia embriagados para “entrar” no reino de dom Sebastião. A matança aconteceu pouco após João Ferreira anunciar que, numa visão de dom Sebastião, este afirmava que o sangue dos seguidores o traria de volta.

A polícia soube do ocorrido e mandou 60 homens a Pedra Bonita. Houve um enfrentamento entre eles e os seguidores – e mais 22 mortes. O criador da seita, João Antônio, acabou morto.