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Melusina: Inspiradora do logo do Starbucks não era sereia

Conheça a origem da figura que se tornou símbolo da marca

Redação Publicado em 29/03/2019, às 07h00

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Reprodução

Você já notou alguma coisa estranha com a sereia do Starbucks? Ela tem duas caudas, seguradas por ela própria em volta da cabeça. É assim porque não é uma sereia. O logo se baseia em ilustrações renascentistas de outra criatura do folclore europeu: Melusina.

Melusina era uma fada, não sereia. Fadas medievais não eram criaturinhas do tamanho de borboletas. Eram de tamanho humano e, quando podiam voar, era por mágica, não tinham asas. A mágica, aliás, era geralmente o que as diferenciava dos humanos. Nas lendas arturianas, a feiticeira Morgana era chamada de fada.

Evolução do logo do Starbucks / Reprodução

Se Melusina parecia diferente, era por uma maldição. Começa com seus pais. Seguindo o relato do fabulista do século 15 Jean d’Arras, ela era filha de Elynas, rei de Albany (Escó-
cia). Durante as cruzadas, ele saiu para caçar e se deparou com uma linda dama na floresta, Pressina. Era uma fada. O rei convenceu-a a se casar com ele.

Um casamento com fadas sempre vinha com uma condição. No caso, foi que ele não se aproximasse dela quando viesse a dar à luz. O rei quebrou a promessa e a fada foi morar na ilha de Avalon com as três filhas. Quando uma delas, Melusina, ouviu a história de seu pai, decidiu se vingar e o enterrou sob uma montanha.

Pressina amaldiçoou a própria filha para que a parte de baixo do corpo se transformasse em serpente todos os sábados... ou talvez ao tomar banho... e quem sabe não virasse serpente, mas peixe (como no logo) – as lendas variam de região para região.

Seja como for, Melusina também se casou com um humano: Guy de Lusignan, um cavaleiro francês – da vida real: ele foi rei do reino cruzado de Jerusalém entre 1186 e 1192. Sua condição era que ele não a visse aos sábados. Anos depois, num casamento que rendeu vários filhos, o nobre finalmente caiu em tentação e espiou, vendo-a em sua forma monstruosa.

Melusina não ficou sabendo, até o dia em que, numa discussão à mesa de jantar, ele a chamou de “serpente”. A fada transformou-se em um dragão e saiu voando pela janela –
não agressivamente, mas aos prantos. Seu choro continuou a ser ouvido vez por outra na torre do Castelo de Lusignan até ser demolido, no século 19. Os nobres da casa Lusignan tinham orgulho de se dizerem descendentes de um ser sobrenatural.