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A mancha no diário do explorador Jørgen Brønlund que revelou os seus melancólicos momentos finais

Em um caderno, Jørgen registrou os acontecimentos de sua expedição à Groenlândia, mas, deixou um enigma que intrigou especialistas por mais de um século

Penélope Coelho Publicado em 24/02/2021, às 10h57 - Atualizado às 18h31

Fotografia de Jørgen Brønlund
Fotografia de Jørgen Brønlund - Wikimedia Commons

Nascido em 14 de dezembro de 1877,Jørgen Brønlund ficou conhecido por ser um explorador polar da Groenlândia. Por duas vezes, o homem explorou o território gelado e em uma dessas expedições acabou perdendo a vida.

Antes de iniciar essa difícil jornada, Brønlund foi instruído a manter atualizado um diário de viagem, posteriormente, esse caderno repleto de anotações se tornou motivo de diversas pesquisas, já que continha um mistério em sua última página.

Membros da Expedição da Dinamarca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Missão

De acordo com uma reportagem publicada pelo portal All That's Interesting, em dezembro de 2020, a passagem do dinamarquês pela Groenlândia foi marcada por dificuldades. Em 1906, Jørgen e mais três exploradores iniciaram uma missão perigosa ao nordeste da Groenlândia, a fim de desbravar e mapear o território.

Contudo, as condições do clima no local eram extremamente congelantes, por isso, não demorou muito tempo para que o homem perdesse seus companheiros de viagem: inicialmente, o cartógrafo e líder da expedição, Niels Peter Høeg Hagen não resistiu; depois o explorador que os acompanhavam também faleceu.

Brønlund foi o que sobreviveu por mais tempo, contudo, também não conseguiu resistir ao clima congelante e veio à óbito numa caverna, no ano de 1907. Na última página de seu diário, o homem relatou os momentos finais.

“Eu morri no Paralelo 79N, sob as adversidades da viagem de retorno sobre o gelo do interior em novembro”, relatou Jørgen. “Venho sob a lua minguante e não posso continuar por causa dos meus pés congelados e da escuridão. Os corpos dos outros estão no meio do fiorde. Hagen morreu em 15 de novembro, Mylius Erichsen cerca de dez dias depois.”

Fotografia da anotação de despedida de Brønlund em seu diário/ Crédito: Divulgação/Biblioteca Real de Copenhague

 

Seu corpo foi encontrado em março do ano seguinte, por outros exploradores. A escrita do dinamarquês foi bastante esclarecedora para especialistas que analisaram o caso, contudo, foi uma mancha preta na última página do caderno que intrigou pesquisadores por mais de 100 anos. 

Luta para sobreviver

No início do século 20, a tecnologia não era avançada o suficiente para conseguir identificar do que se tratava a composição daquela marca. De acordo com o portal Ancient Origins, somente em 2020 o material foi identificado. O resultado foi apresentando num estudo da revista Archaeometry. 

Após inúmeras pesquisas — que só foram possíveis através do auxílio de aparatos modernos, como, fluorescência de raios-X e espectrometria de massa de plasma — especialistas concluíram que a mancha era composta por “borracha queimada, óleos e fezes”.

Fotografia da mancha misteriosa / Crédito: Divulgação/Universidade do Sul da Dinamarca

 

Mas, afinal de contas, por qual motivo de Jørgen usou tais materiais? Os pesquisadores afirmam que o uso desses itens foi a alternativa que o explorador encontrou para tentar sobreviver.

Na caverna, o dinamarquês tentou acender a borracha e o óleo em uma junção com seus próprios materiais fecais, já que todos os outros recursos usuais que o ajudavam a se aquecer haviam se esgotado.

Desesperado, o homem tentou a todo custo acender fogo para que o clima melhorasse. Seu ato de agonia na tentativa de sobreviver ficou eternizado em uma marca em seu caderno de anotações, mas, infelizmente não deu certo.

Em uma homenagem ao explorador, Brønlund foi enterrado em 1908 no local em que foi encontrado. Além disso, seu diário se tornou um item importante para entender a história do território gélido da Groenlândia, e por isso, foi enviado para a Biblioteca Real, em Copenhague, capital da Dinamarca.

Leia a pesquisa completa aqui. 


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