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Misticismo no Terceiro Reich: a face oculta dos soldados da SS

Pano de fundo do regime nazista, o esoterismo era praticado por seus principais líderes

Joseane Pereira Publicado em 24/02/2020, às 08h00

Adolf Hitler saudando seus membros, cercado por símbolos nazistas
Adolf Hitler saudando seus membros, cercado por símbolos nazistas - Getty Images

A face mística do nazismo, também chamada de Misticismo Nazi, é uma subcorrente quase religiosa criada no início do século 20 por oficiais antissemitas que combinavam o nazismo com ocultismo, esoterismo e paranormal.

Inspirados pelo filósofo Arthur de Gobineau e por teóricos do ocultismo, oficiais nazistas de alta patente desenvolveram atividades místicas durante todo o período nazista. Esse foi o caso de Rudolf Hess, delegado do Führer, e de Heinrich Himmler, líder da organização paramilitar SS que promoveu um culto de adoração ancestral entre seus membros.

Ariosofia

As teorias de ocultismo que geraram o misticismo nazi têm uma origem particular: a Ariosofia, corrente de pensamento em alta na Áustria do século 19. Traduzida como Sabedoria sobre os arianos, essa filosofia criada pelos antissemitas e nacionalistas Guido von List e Jörg Lanz von Liebenfels pregava que a Alemanha deveria unir todas as populações germânicas da Europa.

Entre as ideias pregadas, que ganhavam inúmeros adeptos, estava a de que líderes espirituais de um passado longínquo governavam sociedades compostas por super-homens. E práticas de ocultismo seriam a única forma de resgatar esse passado, fazendo a era dourada dos Arianos voltar à vida. Foi List quem se apropriou da Suástica, símbolo usado entre povos hindus e budistas que, segundo ele, pertencia aos Arianos do passado.

Regime esotérico

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Heinrich Himmler, líder da SS / Crédito: Getty Images

Inspirado pela Ariosofia, o astrólogo e cosmologista Himmler acreditava que o triunfo dos alemães estava escrito nas estrelas. Muitos dos encontros da SS eram realizados à noite, em castelos iluminados apenas por tochas.

Seus oficiais deveriam se alimentar apenas com alho-poró e água mineral no café da manhã, e junto a Himmler se sentavam na mesa 12 pessoas por vez — à moda do Rei Arthur.

Como afirma o jornalista e psicanalista Paulo Stucchi, autor da obra A Filha do Reich, “A doutrina nazista esteve ligada desde os primórdios ao ocultismo e ao esoterismo. (...) Tratava-se de uma busca por justificar a superioridade da raça ariana sobre as demais e, portanto, fundamentar a guerra”.

Para isso, a SS desenvolveu um ramo de pesquisas específico: a Sociedade Ahnenerbe, dedicada a provar a superioridade racial. Fundada em 1935, essa ordem esteve envolvida na busca pelo Santo Graal e por Atlântida, organizando também expedições arqueológicas por diversos países da Europa, pelo Afeganistão e até pelo Tibet. A sociedade também realizava experiências médicas em campos de concentração como Dachau.


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