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Monarquia e caos: A centenária lenda dos corvos da Torre de Londres

Segundo um antigo mito do século 17, as aves possuem uma função decisiva para manter a paz na Inglaterra

Alana Sousa Publicado em 23/02/2021, às 16h00

Montagem meramente ilustrativa de um corvo e da rainha Elizabeth II
Montagem meramente ilustrativa de um corvo e da rainha Elizabeth II - Creative Commons

Fundada em meados de 1066, a Torre de Londres sobreviveu a reinados importantes e esteve no centro de disputas e conquistas decisivas. Localizada na margem do rio Tâmisa, o controle da estrutura significava um maior controle sobre a Inglaterra, devido a isso, muitos monarcas investiram na expansão e função patriota da propriedade.

Utilizada como prisão por 852 anos, incluindo durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o Palácio e Fortaleza Real de Sua Majestade da Torre de Londres (nome original da estrutura), foi, entre muitos aspectos, um depósito para armas e registros públicos e, até mesmo, a casa da Joias da Coroa Britânica — vestes e acessórios utilizados pela família real em eventos relevantes.

Apesar de ter sido palco para execuções e residência para integrantes da Casa de Tudor, atualmente, a Torre ainda abriga as joias da família de Elizabeth II e serve como um dos principais pontos turísticos para os visitantes estrangeiros. 

Quem conhece de perto o palácio não deixa de notar um detalhe inusitado: a presença de seis corvos no gramado. Com as asas cortadas, as aves precisam integrar o ambiente, caso contrário, algo catastrófico pode acontecer.

Torre de Londres / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

A lenda dos corvos

A ligação da Torre com a monarquia britânica é antiga. Após tanto tempo desde a fundação, uma regra jamais poderá ser quebrada e perpetua através dos séculos. Sempre tem que haver seis corvos nas proximidades do castelo. 

O mito é antigo e nos leva de volta a Carlos II da Inglaterra. O rei foi o primeiro no comando após a restauração da monarquia, sentando no trono em 1660 — seu pai, Carlos I, fora executado no auge da Guerra Civil Inglesa. Por quase uma década, o país viveu um regime parlamentar, até que outro conflito trouxe de volta os governantes reais.

Aflito com uma possível revolta que culminaria em sua morte e no fim do reinado, Carlos teve um ideia que prometia proteger a monarquia de maneira relativamente simples. No século 17, o rei assinou um decreto real que ordenava que seis corvos deveriam estar na Torre de Londres em todos os momentos. Sendo assim, a solução garantiria vida longa a era dos reis.

Apesar de não ser confirmada, a ordem é atribuída a Carlos, segundo informações do G1. A lenda se popularizou, tanto que muitos ingleses acreditavam na história sem questionar nem mesmo sua origem.

Corvos na Torre de Londres / Crédito: Divulgação/Youtube/Historic Royal Palaces

 

Um mau presságio 

A credibilidade da regra era tamanha que, em janeiro deste ano, um fato colocou toda a população em desespero. No dia 14 daquele mês, o Palácio Real anunciou que um dos corvos havia desaparecido e não parecia que iria retornar.

Chamada Merlina, a ave ficou sumida por semanas, e precisou ser substituída por um dos corvos reservas da Torre. Em sua página oficial, a Torre de Londres descreveu o episódio como “uma notícia preocupante”, e que a “ausência contínua indica que [Merlina] pode ter morrido”.

Ainda que a história seja apenas uma lenda, os funcionários estavam comprometidos a tranquilizar a todos. Em entrevista à BBC, Chris Skaife enfatizou: “Temos sete corvos na Torre de Londres, seis por decreto real, e tenho mais um de sobra, então por enquanto está tudo bem”.

Conhecida como a ‘rainha dos corvos’, Merlina de fato parece ter falecido, já que, com certeza, ela não voou para longe. A função essencial de proteger a monarquia e o reinado de Elizabeth II cabe agora a Georgie, Harris, Jubilee, Erin, Gripp, Rocky e Poppy.


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