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As mulheres participavam dos Jogos Olímpicos na Antiguidade?

Na atual edição das Olimpíadas, as mulheres são as principais responsáveis pelo nosso desempenho histórico

Fabio Previdelli Publicado em 06/08/2021, às 00h00

Abertura dos Jogos de Atlanta 1996
Abertura dos Jogos de Atlanta 1996 - Getty Images

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 só acabam no próximo domingo, 8, mas já podemos afirmar que essa edição já se tornou histórica para os brasileiros.

Afinal, até o momento, já igualamos o nosso recorde de medalhas conquistadas em uma única edição: 19, número este estabelecido na Olimpíadas que disputamos em casa, a Rio 2016. 

Agora, lutamos para superar outras duas marcas: primeiro, para bater as 7 medalhas de ouro que conquistamos aqui — por enquanto, temos 4, mas estamos garantidos em 3 finais; e o segundo objetivo, este mais ousado, de ser o segundo país mais vitorioso das Américas, para isso precisamos passar Cuba e Canadá. 

Como mostra matéria do Globo Esporte, as grandes responsáveis pelo louvável desempenho são as mulheres, já que elas são responsáveis por 75% dos nossos ouros conquistados (Rebeca Andrade, na ginástica artística; Martine GraelKahena Kunze, na vela; e Ana Marcela Cunha, na maratona aquática.  

Fotografia de Rayssa nas Olimpíadas/ Crédito: Divulgação/ Twitter/ Arquivo Pessoal

 

Além disso, das 19 medalhas garantidas até agora, nossa delegação feminina ganhou outras sete. Além das três já citadas, elas conquistaram duas pratas, com Rayssa Leal (Skate) e Rebeca Andrade (Ginástica); e dois bronzes, com Mayra Aguiar (Judô), e a dupla de Tênis Luisa Stefani e Laura Pigossi.  

Os triunfos nos fazem pensar algumas coisas: as brasileiras sempre participaram das Olimpíadas? E na Antiguidade, de maneira geral, elas tinham uma representatividade tão grande quanto hoje?

Os primeiros Jogos: do início ao fim 

Como aponta matéria da BBC, os primeiros Jogos Olímpicos começaram há quase 2.800 anos, em 776 a.C. — sendo que durante mais de um milênio, até 339 d.C., a competição já era disputada de quatro em quatro anos. 

A edição dos Jogos realizada no século 5 a.C., por exemplo, foi uma das maiores, durando cinco dias inteiros. Já no auge da competição, no século 2 d.C., os estádios que recebiam as disputas chegavam a abrigar ao menos 40 mil espectadores.  

A competição durou até o ano de 393, como explica matéria do InfoEscola. Depois de Roma conquistar a Grécia, no século 2 a.C., os romanos exigiram ter o mesmo status dos gregos para participarem dos Jogos.  

Vaso que representa cena de luta/ Crédito: MatthiasKabel/Wikimedia Commons

 

Até então, a disputa só permitia a participação de gregos ou pan-helênicos. Já todos aqueles denominados de ‘bárbaros’ (ou, os ‘não-gregos´) não podiam competir. Com a inserção dos romanos, a essência dos Jogos também foi se perdendo aos poucos.  

Na Antiguidade, a competição tinha um cunho religioso, sendo uma homenagem a Zeus e outros deuses. Porém, esse foi justamente o motivo para o imperador Teodósio I pôr fim aos Jogos em 393. Cristão, ele via o torneio como um festival politeísta e pagão.  

Apenas homens nus 

Porém, quando a competição ainda acontecia, além da restrição de povos, aceitava apenas competidores homens. Pelo menos no que diz respeito às modalidades de atletismo e de esportes de combate.  

Para se ter ideia, as mulheres não podiam sequer assistir esses eventos. Acredita-se, entretanto, que o motivo para isso seja pelo fato dos atletas, naquela época, competirem pelados.  

Já cavaleiros e condutores de carruagens não eram obrigados a ficarem como vieram ao mundo. Mas o motivo disso acontecer é porque eles eram vistos apenas como empregados, e não como os donos dos equinos — estes sim ficavam com todas as glórias das conquistas.  

Fotografia da obra Discobolus, de Míron/ Crédito: Leomudde/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Apesar dessas restrições e exclusões, algumas mulheres, ainda assim, competiram nos Jogos, se bem que suas participações só poderiam ocorrer devido a uma condição: substituir os donos dos cavalos e das carruagens. Segundo a BBC, a primeira vitória delas foi conquistada por uma princesa espartana.  

Os Jogos modernos 

Depois de ser interrompido por Teodósio I, as Olimpíadas só voltariam a ser disputadas no século 19, em 1896, no berço dos Jogos da Antiguidade: em Atenas, na Grécia. Tudo isso graças ao barão Pierre de Coubertin, afinal, seis anos antes, o francês havia fundado o Comitê Olímpico Internacional.  

Como explica matéria do Globo Esporte, o Brasil só começou a participar dessa Era Moderna quase 30 anos depois, na edição de 1920, realizada na Antuérpia. As brasileiras, por sua vez, só passaram a disputar os Jogos em 1932, quando a nadadora Maria Lenk esteve em Los Angeles. 

A nadadora Maria Lenk/ Crédito: Arquivo Nacional

 

Aliás, ela foi a primeira sul-americana a conseguir tal feito. Mas, para isso, Lenk teve que custear sua própria viagem, explica matéria do portal Best Swimming. 

"O que valia era o conceito do amadorismo. Eu competi com um uniforme emprestado, que tive de devolver quando as provas acabaram", declarou a nadadora. 

As primeiras medalhas delas, porém, só vieram em Atlanta 1996. Além da dobradinha nas duas primeiras colocações com o vôlei de praia, nossas atletas também ficaram com a prata no basquete e o bronze no vôlei de quadra. Desde então, elas nunca mais pararam de nos dar orgulho. 


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