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Mumificação ainda em vida e escondidas a sete chaves: as múmias de fogo das Filipinas

Encontrados em bom estado de preservação, os restos revelaram procedimentos diferenciados e causam preocupação para uma tribo nativa

Vanessa Centamori Publicado em 05/04/2020, às 08h00

Múmia de Kabayan
Múmia de Kabayan - Creative Commons

Na década de 1900, ladrões estavam de olho nas cavernas das Filipinas, procurando as chamadas múmias de fogo, ou múmias de Kabayan. As preciosidades históricas tinham acabado de ser descobertas e já estavam sendo alvo de ameaça. Foi aí que o governo do país asiático decidiu ocultar a localização exata das múmias - algo que até hoje é um segredo. 

O que se sabe é que elas estão a cerca de cinco horas de carro, no topo das montanhas de Kabayan, seguidas por outra jornada de mais cinco horas escalando. Ali em grandes altitudes, os aventureiros mais espertos podem encontrar as múmias nas cavernas, ainda enroladas em seus sarcófagos originais. 

Múmias das Filipinas / Crédito: Divulgação/Monument Watch

 

Cientistas que estudaram os corpos mumificados estimam que eles tenham sido conservados entre os anos 1200 a 1500 a.C, embora essa noção de temporalidade ainda esteja em debate. 

Conservação 

Os restos mortais humanos estão mumificados com uma técnica diferente, que acabou as denominando "múmias de fogo". Nesse tipo de mumificação, a preservação é feita logo após a pessoa morrer, através da desidratação e de um processo no qual indivíduos da tribo fumam sob o corpo. 

O primeiro passo era feito, quando possível, e realizado assim que o indivíduo sabia que estava prestes a falecer. Ele tomava uma bebida com alta concentração de sal para iniciar o processo de desidratação do corpo.

Múmias de Kabayan / Crédito: Divulgação 

 

Após a morte, o cadáver era limpo e colocado sentado no chão para que os fluídos secassem ao calor de uma fogueira. Em seguida, a fumaça de folhas de tabaco era jogada dentro da boca do indivíduo morto para secar seus órgãos internos. Por fim, algumas ervas eram esfregadas no corpo. 

Múmias de Kabayan / Crédito: Divulgação 

 

Patrimônio histórico 

As múmias ainda são motivo de preocupação, pois elas podem ser roubadas a qualquer momento, ainda que estejam em uma área remota e não divulgada. O maior medo do governo filipino é que elas sofram vandalismo ou sejam raptadas. 

Não por acaso, a área onde estão os cadáveres conservados faz parte da lista de 100 sítios mais ameaçados do mundo, segundo a organização sem fins lucrativos, Monument Watch, que monitora e guarda patrimônios ao redor do mundo. Há ainda uma tentativa de incluir o local sob a proteção da UNESCO, como um Patrimônio Mundial da Humanidade. 

Múmia de Apo Annu / Crédito: Creative Commons 

 

Um roubo inusitado 

No começo do século 20, uma múmia conhecida como Apo Annu foi roubada das cavernas de Kabayan. O cadáver pertencia a tribo Ibaloi e usava roupas de um chefe tribal. Ele estava na posição de agachamento e curiosamente, seu corpo estava coberto de tatuagens. 

Segundo concluíram especialistas, o homem mumificado era considerado por sua tribo um excelente caçador. De acordo com a crença, ele era um ser divino entre os demais membros daquela sociedade tribal. 

Nativo da tribo Ibaloi / Crédito: Creative Commons 

 

Com o desaparecimento do líder, por muitos anos, os nativos passaram a acreditar que muitos desastres (como terremotos, secas, doenças e péssimas colheitas) tinham como a causa o sumiço do corpo mumifcado de Apo Annu.

Embora ainda existam muitas múmias de Kabayan desaparecidas, a múmia de Apo Annu finalmente retornou aos nativos. O líder da tribo virou símbolo da importância de manter as múmias em seu devido lugar. Aos que respeitam os corpos mumificados, as tribos da Filipinas agradecem. 


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