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Nada de viagem no tempo: A teoria conspiratória do 'smartphone' em luta de Mike Tyson, no ano de 1995

A teoria causou um frenesi entre curiosos, contudo, o episódio passa bem longe de uma 'viagem no tempo'

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/09/2021, às 07h00

O objeto destacado com seta durante luta de Mike Tyson
O objeto destacado com seta durante luta de Mike Tyson - Divulgação / YouTube / Inside Edition

Diversas teorias sobre a possibilidade de viajar no tempo intrigam pessoas sobre o futuro e a maneira como o passado poderia ser reordenado. Dessa forma, passagens anacrônicas tornam-se alvos de criações fantasiosas; desde um astronauta misteriosamente esculpido em uma catedral do século 16, até mesmo um suposto viajante do tempo contando todos os detalhes de sua empreitada.

Porém, no ano de 2016, uma imagem resgatada de duas décadas anteriores foi capaz de mobilizar centenas de internautas; filmada em 1995, um pequeno trecho da luta entre Mike Tyson e o pugilista Peter McNeeley, em Las Vegas, EUA, na transmissão mundial, registrou um curioso item entre os membros da plateia. No meio da torcida, estava um homem segurando um curioso aparelho vertical, disparando um flash e com uma câmera centralizada.

Proporcionalmente portátil, o item tinha o mesmo tamanho da mão do usuário, que visualizava o registro com certa distância do objeto, ao contrário de uma câmera fotográfica, onde há necessidade de focar por um visor ocular. Todas as características bateram com um item moderno: os smartphones.

Item do futuro

A breve aparição do equipamento, cinco anos antes da invenção do telefone móvel equipado com câmera, impressionou os internautas pela semelhança com o item moderno, iniciando especulações sobre sua origem e, de acordo com as visíveis características, tentar desvendar qual seria o modelo do suposto celular.

Parte dos comentários sobre o achado nas redes sociais apontavam que tratava-se de um telefone fabricado pela Samsung, indagando entre as linhas J e Galaxy iniciais, com a carcaça branca. Ainda assim, a produção de aparelhos do tipo só foi iniciada pela fabricante sul-coreana em 2009, quase 15 anos depois do registro.

Com o trecho do vídeo cortado e publicado no YouTube, a tal intervenção temporal totalizou mais de 4 milhões de visualizações, atingindo também pessoas que estavam presentes no evento e até técnicos em equipamentos fotográficos, que analisaram as imagens e jogaram luz sobre o curioso registro.

Modelos da época em montagem, com Logitec (esq.) e o Casio (dir,) / Crédito: Divulgação / Logitec / Casio

 

Nada demais

Apesar da confusão de anos, a investigação detalhada mostrou que, apesar de semelhante, não era impossível encontrar uma máquina fotográfica cuja estrutura fosse semelhante aos de smartphones. Três anos antes da luta, em 1992, a Logitec lançou a Dycam Model 1, que priorizava os registros com o uso do equipamento na vertical, como um celular.

Porém, pela proximidade das criações e compreendendo o poder aquisitivo dos presentes no evento de alto padrão, um aparelho da Casio, mais moderno e lançado no início do ano em que a luta foi realizada, é atribuído como o que fora usado pelo torcedor.

Além de funcionar verticalmente e ter a portabilidade semelhante a de um telefone móvel, o QV-10 possuía tela de LCD, como um celular, deixando de lado a necessidade de encaixar os olhos no visor do equipamento.

Com isso, foi possível concluir que, apesar da semelhança, era completamente possível a existência de tal tecnologia na época, descartando a ideia de que tratava-se de um viajante.