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'Não encontro sentido para isso', diz Maurício Rosencof sobre a 'ameaça do comunismo'

O ex-guerrilheiro da ditadura uruguaia conversou com o site Aventuras na História sobre esse e outros temas marcantes

Redação Publicado em 26/03/2021, às 13h01

Fotografia de Mauricio Rosencof
Fotografia de Mauricio Rosencof - Divulgação/ Editora Rua do Sabão

Em 1975, a elaboração da Operação Condor visava criar uma aliança político-militar entre os diferentes regimes ditatoriais que vigoravam na América do Sul, principalmente no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e Bolívia, segundo explica matéria da LARED21.  

Com isso, no auge da Guerra Fria, a Operação ajudaria a suprimir setores políticos de esquerda, que eram vistos como uma ameaça para os americanos. Além dos soviéticos, obviamente, os cubanos também eram tratados com este potencial, visto a sua proximidade aos países da América do Sul.  

Cartum de Latuff representando a Operação Condor/ Crédito: Divulgação/ Carlos Latuff

 

Mauricio Rosencof, que foi guerrilheiro ao lado de José Alberto Mujica e Eleuterio Fernández Huidobro durante a ditadura militar uruguaia conversou com o site Aventuras na História sobre sua saga durante a ditadura. 

Durante 4.323 dias, Rosencof, que agora lançou a esplendida obra 'Memórias do Calabouço', pela editora Rua do Sabão, conta como foi torturado diante de um terror que parecia não ter fim.

“O período mais sombrio que vivi, mas que sobrevivi, foi quando caçaram dirigentes do Movimento Tupamaro, onde o governo, por qualquer motivo, nos condenava”, explica Rosencof em entrevista exclusiva ao site.  

Em um cenário ainda mais desumano, o ex-guerrilheiro explica que era oferecida comida misturada com bitucas de cigarro e até mesmo misturadas com terra. E em outros momentos marcados pela fome, chegou a comer larvas, moscas e pedaços de papeis.  “Não tínhamos o que comer, um prato para se alimentar, erámos agredidos, não vimos nenhuma outra pessoa por 12 anos”, explicou ele.

“Estivemos presos em calabouços de um metro e oitenta por oitenta centímetros, embaixo da terra, onde não recebíamos água e tivemos que aprender a reciclar nossa própria urina”, relembra Mauricio. “Quando se vive uma luta política, você pode viver todas as alternativas possíveis: a vida, a morte, a prisão, tudo que se pode pensar”.

Ameaça comunista?  

Em determinado momento, questionamos como ele enxerga o que as pessoas chamavam no passado (e ainda no presente) de 'ameaça comunista'. Para ele, que viveu na pele a dor da ditadura, trata-se de uma expressão usada com o objetivo de justificar o que fora feito na América Latina.

“Isso é uma expressão que se utiliza para justificar tudo o que fizeram por aqui. Não encontro sentido para isso. Eu encontro sim sentido em todos os movimentos que aconteceram na América, inclusive no Brasil”, diz Rosencof.

“Como é a essência do livro ‘O Cavaleiro da Esperança’, de Jorge Amado, que é um chamado contra a ditadura, contra quem está matando os indígenas e incendiando o território do Amazonas para se apropriar da terra, debilitando um pulmão de oxigênio do mundo e o substituindo a favor da aniquilação dos indígenas, que se mantiveram ao longo de todo esse continente amazônico”, completa. 

Para conferir a entrevista completa sobre outros tópcios com Maurício, clique aqui.

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