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‘No caminho da eternidade’: 5 fatos sobre a morte de Getúlio Vargas

Uma forte oposição e um atentado inusitado fizeram parte do contexto que culminou no suicídio do presidente, em 1954

Pamela Malva Publicado em 27/03/2021, às 08h00

Clássica fotografia de Getúlio Vargas colorizada
Clássica fotografia de Getúlio Vargas colorizada - Wikimedia Commons

Herdeiro de uma família com grandes propriedades na Zona Rural do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas foi presidente do Brasil por quase 19 anos. Depois da Era Vargas, inclusive, ele ainda recebeu mais de 3,8 milhões de votos nas eleições de 1950.

Mesmo sem apoio dos militares em seu segundo mandato, o político era bastante popular entre as classes civis do país. Em agosto de 1954, contudo, o caótico contexto político em que o país se encontrava, a forte oposição e um inesperado atentado fizeram com que o presidente tomasse uma medida bastante drástica.

Morto com um tiro que ele mesmo disparou, Vargasmarcou a história do país ao puxar o gatilho. Para diversos estudiosos, no entanto, o governo do político começou a morrer 20 dias antes de seu suicídio, quando outro disparo foi feito contra Carlos Lacerda.

Confira 5 fatos sobre o contexto da morte de Getúlio Vargas:

1. O trágico atentado

Fotografia de Carlos Lacerda, o maior oponente de Getúlio Vargas / Crédito: Divulgação

 

Pouco depois da meia-noite do dia 5 de agosto de 1954, Carlos Lacerda e o major da Aeronáutica Rubens Vaz foram surpreendidos por uma série de disparos. Atingido por dois dos tiros, o militar não resistiu aos ferimentos, enquanto o jornalista foi atingido no pé esquerdo — ele, inclusive, revelou os ferimentos em seu jornal naquele mesmo dia.

Após descobrir sobre o episódio, Vargas soube que o chamado Atentado da Rua Toneleros poderia ser seu fim. “Até agora considerava Lacerda meu principal inimigo”, escreveu, à época. “Mas agora o considero meu inimigo número 2; o número 1, aquele que causou o maior prejuízo ao meu governo, foi o homem que atentou contra sua vida".


2. Intensas investigações

Getúlio Vargas após a revolução de 1930 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os acontecimentos daquela madrugada reverberaram em todo o país, fragilizando ainda mais o governo de Vargas. No dia 12 de agosto, então, a Base Aérea do Galeão instaurou um inquérito policial-militar (IPM) para investigar a morte do major Vaz. Sob comando do coronel Adil de Oliveira, a operação foi apelidada de República do Galeão.

Segundo o historiador Marco Antônio Villa, o IPM frustrou Vargas por dias. "A República do Galeão prosseguiria fustigando-o, num processo que talvez culminasse com sua prisão ou a de gente muito próxima a ele", explica. De fato, o inquérito deteve suspeitos da família do presidente, além de convocar aliados de Getúlio como testemunhas. 


3. Sentimento de solidão

Fotografia de Getúlio Vargas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Acompanhando cada desdobramento das investigações, Vargas passou a demonstrar muito cansaço e uma indiscutível solidão. "Durante todo aquele mês de agosto, ele se sentiu abandonado pelos antigos aliados”, explica o historiador Marco Antônio.

Nesse momento, segundo teorias, Vargas começou a cogitar o suicídio. “Com toda a sua história de vida, ele não se submeteria mais à renúncia ou à derrota final do exílio”, narra Marco. Para o presidente, então, a única forma de impedir a humilhação era na morte.

"Getúlio tinha uma profunda consciência de seu significado como personagem histórico. Seu último e trágico gesto precisa ser compreendido dentro dessa dimensão", afirmou o historiador Jaime Pinsky, da Unicamp. Dessa forma, o suicídio seria um ato político.


4. Aquela fatídica noite

O pijama e a arma usados por Getúlio no dia de seu suicídio / Crédito: Wikimedia Commons

 

Às 8h30 da manhã do dia 24 de agosto de 1954, os cômodos do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, foram preenchidos pelo estrondo de um tiro. Em sua cama, Vargas agonizava com um buraco de bala pouco acima do monograma "GV" gravado no bolso de seu pijama. Ele havia se matado com um Colt calibre 38 com cabo de madrepérola.

Naquele mesmo dia, pouco antes das 9h da manhã, o ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, leu a carta-testamento de Getúlio para todo o Brasil, em uma transmissão histórica da Rádio Nacional. "Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada temo. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história", escreveu o presidente.


5. Revoltas populares

Momento do cortejo do corpo de Vargas do Rio de Janeiro para São Borja / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte de Getúlio Vargas ecoou por todo o país. Naquela mesma tarde, milhões de pessoas saíram às ruas. Com o gosto amargo da injustiça na boca, manifestantes enfurecidos depredaram a sede da Tribuna da Imprensa, o jornal de Carlos Lacerda. Outras 100 mil pessoas, em prantos, acompanharam o caixão do presidente.

Na enfermaria do Catete, o estoque de calmantes esgotou-se em minutos. Simpatizantes de Vargas sofreram desmaios, mal-estar e crises nervosas. O Brasil inteiro entrou em um profundo estado de choque. A morte de Vargas, afinal, teria mudado completamente a história e o destino do país.


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