Nos anos 50, militares dos EUA criaram um disco voador

O Avrocar era real e voou - mas não foi longe o suficiente para abduzir ninguém

segunda 23 outubro, 2017
Manutenção na máquina. Ele funcionava com combustível de jato comum.
Manutenção na máquina. Ele funcionava com combustível de jato comum. Foto:Wikimedia Commons

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Em 1959 vivia-se o auge da histeria com alienígenas. Desde o incidente de 1947 em Roswell, no qual o Exército americano lançou um comunicado afirmando que havia resgatado um disco voador e depois negou tudo, era opinião geral que o governo sabia da existência de alienígenas, mas tentava ocultar a verdade. Nesse ano, Ed Wood lançou Plano 9 do Espaço Sideral, no qual discos voadores feitos de calota de carro lideravam uma invasão de zumbis-vampiros.

Mas os militares queriam ocultar outra coisa: eram eles que estavam criando discos voadores. Em 1954, o engenheiro britânico Jack Frost havia prometido aos americanos o avião mais revolucionário de todos os tempos. Com formato circular, seria capaz de decolar na vertical, quebrar a barreira do som, manobrar tão bem quanto um helicóptero e voar para trás ou para os lados com a mesma velocidade que ia para a frente. Seria, enfim, um disco voador como o dos filmes.

O Avrocar VZ-9 foi um veículo idealizado por um britânico, a pedido dos americanos, feito no Canadá. Dois deles saíram do hangar da Avro Canada em Toronto, em 1958 e 1959. Com 5,5 m de diâmetro, eram movidos por três motores a jato, usando de forma inovadora o Efeito Coanda - a sustentação criada pelo movimento do ar através de superfícies curvas, como o disco. 

Logo se descobriu que se comportavam de forma similar às calotas penduradas por barbante no filme de Ed Wood: quando tentavam voar a mais de 1 m de altitude, começavam a balançar. Tentativas de deixá-los mais estáveis tornaram o veículo lento, com uma terráquea velocidade máxima de 56 km/h.

Frost havia trabalhado no De Havilland DH 108, a tentativa britânica de quebrar a barreira do som, que terminou tragicamente em 1946, com a morte de Geoffrey de Havilland Jr., filho do dono da companhia. Em 1961, as Forças Armadas fecharam a torneira do orçamento, e discos voadores permaneceram coisa de filme.

Ainda não acredita? Veja a geringonça em ação.
Redação AH

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