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O campo de concentração para “inimigos da nação” em Tomé-Açu, no Pará

Durante a Segunda Guerra Mundial, imigrantes japoneses, alemães e italianos foram isolados em campos de concentração na Região Norte do Brasil

Isabela Barreiros Publicado em 13/10/2019, às 09h00

Família de imigrantes japoneses no Brasil
Família de imigrantes japoneses no Brasil - Wikimedia Commons

Entre 1939 e 1945, a situação de imigrantes em diversos países não era a das mais agradáveis. Por conta da Segunda Guerra Mundial, muitas pessoas que não eram originalmente do país em que moravam sofreram com inúmeras represálias tanto por parte do governo tanto pela população local.

No Brasil, mais especificamente no Pará, imigrantes japoneses, alemães e outros pequenos grupos de estrangeiros eram vistos com desconfiança por parte dos habitantes da região. Seus países de origem estavam no conflito do lado do Eixo, e, por isso, muitas vezes foram considerados possíveis inimigos da nação e agentes infiltrados em busca de informações para seu governo.

Na Região Norte, isso se repetia constantemente. Em Belém, militares do governo ateavam fogo em casas, agrediam e apedrejaram japoneses e descendentes da mesma etnia. Civis também faziam o mesmo. “Em Belém a repressão era muito maior. Os brasileiros queimaram e saquearam as lojas dos japoneses e de pessoas de outros países”, lembra Hajime Yamada, agricultor japonês que morou na região durante a Segunda Guerra.

O campo de concentração de Tomé-Açu, no Pará / Crédito: Odete Sato

 

Para tentar resolver os atritos, em 1943, o governo decidiu criar lugares em que os imigrantes pudessem ficar durante o período de guerra. Cerca de 480 famílias japonesas, 32 alemãs e algumas italianas foram transportadas para a cidade de Tomé-Açu, no Pará. O campo de concentração funcionou entre os anos de 1943 e 1945, ao fim do conflito. 

O jornal “O Estado do Pará” relatou que Tomé-Açu era um “campo de concentração dos eixistas nocivos à segurança nacional”. Muitas pessoas escolheram ir para o local por conta da depredação de suas casas e pelas constantes ameaças sofridas nas cidades. Todavia, outras deveriam continuar enclausuradas.

“Passamos por muitos sacrifícios por causa da polícia. Se três de nós estivéssemos juntos, já vinha alguém para repreender. Minha família foi uma das poucas que não teve alguém detido, porque minha mãe era comunicativa e conseguia se entender com quem nos perseguia”, comenta Yamada.

Eles eram isolados, proibidos de falar seu idioma e também não era permitido andar em grupos. Existia toque de recolher e, também, racionamento de energia. Vale destacar, mesmo que leve o nome de campo de concentração, a situação dos imigrantes não pode ser comparada ao que sofriam os judeus na Alemanha nazista, ainda com as restrições apresentadas.

O local parou de funcionar após o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, japoneses, alemães e italianos puderam voltar às suas casas para tentar conseguir recomeçar suas vidas no país. 


Saiba mais

“Por terra, céu & mar: histórias e memórias da segunda guerra mundial na Amazônia”, Elton V. O. Sousa, Murilo R. Teixeira e Samuel R. Mendonça.