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O casamento entre Edgar Allan Poe e sua prima de 13 anos

Em 1835, aos 27 anos, o autor assinou o sagrado matrimônio com a menina e, assim, os dois deram início a uma vida bastante turbulenta e dolorosa

Pamela Malva Publicado em 26/04/2020, às 13h00

O escritor Edgar Allan Poe
O escritor Edgar Allan Poe - Wikimedia Commons

Conhecido por seus livros com temáticas obscuras, Edgar Allan Poe é um dos maiores expoentes do romantismo nos Estados Unidos. Trabalhando como autor, poeta, editor e crítico, ele marcou o universo literário mundial.

Em sua vida pessoal, entretanto, as coisas se pareciam muito mais com os temas de suas obras do que com o glamour de sua fama. Para começo de conversa, ele ficou órfão ainda muito jovem e, quando mais velho, viciou-se em bebidas alcoólicas.

Mais conturbado ainda foi seu casamento com Virginia Eliza Clemm Poe, sua prima de 13 anos. Recheado de traições e doenças fatais, o matrimônio estava destinado ao fracasso desde o dia em que as partes assinaram os documentos.

Ilustração de Virginia Eliza Clemm Poe / Crédito: Wikimedia Commons

Amor juvenil

Edgar Allan Poe conheceu Virginia pela primeira vez em agosto de 1829. Na época, o autor fora dispensado do exército e precisava de um lugar para morar. Assim, ele foi até a casa dos tios, onde foi apresentado a sua prima de sete anos.

Seis anos mais tarde, Edgar deixa a família para trás e se muda para Richmond, a fim de assumir um emprego no Soughern Literary Messenger. Nesse meio tempo, um primo do autor, Neilson Poe, descobriu os desejos secretos do autor.

Apesar da enorme diferença de idade, Edgar estava profundamente interessado por sua prima Virginia e queria casar-se com ela. Neilson, então, tentou evitar o casamento, oferecendo-se para cuidar da menina.

Um casamento conturbado

Mesmo com as interferências do primo, Edgar e Virginia se casaram em 1835. Nos papéis do matrimônio, enquanto o autor foi registrado com seus 27 anos, a jovem teve sua idade falsificada — alegou-se que ela tinha 21, mesmo tendo apenas 13. 

Segundo Arthur Hobson Quinn, um dos diversos biógrafos de Poe, o autor costumava apelidar sua esposa de Sis, uma abreviatura em inglês para irmã. Por isso, para muitos, os dois tiveram uma relação muito mais fraternal do que amorosa.

Para o biógrafo Arthur Hobson Quin, entretanto, era inegável que Virginia e Edgar se amavam de forma fervorosa. “Poe amava a priminha não apenas com o afeto de irmão”, escreveu, “mas também com a devoção apaixonada de um amante."

A certidão de casamento entre Edgar e Virginia / Crédito: Wikimedia Commons

A vida de casados

Segundo diversos amigos de Edgar, o autor e sua esposa juvenil não compartilharam a mesma cama nos primeiros anos de matrimônio. Entretanto, quando Virginia completou seus 16 anos de idade, os dois assumiram uma vida de casal padrão.

Dessa forma, por algum tempo, os amantes viveram uma vida tranquila, feliz e apaixonada. As coisas, no entanto, saíram dos trilhos quando duas novas mulheres entraram na equação e trouxeram consigo alguns problemas.

Em 1845, Edgar começou a flertar com Frances Sargent Osgood, uma poetisa casada de 34 anos. Virginia sabia da relação e até mesmo compactuava com o adultério. Para a jovem, a mulher mais madura tinha um efeito positivo sobre Poe.

O maior problema veio quando outra poetisa se apaixonou por Edgar. Cega de amor, Elizabeth F. Ellet tinha ciúmes de Virginia e Frances. Com isso, as intrigas tomaram enormes proporções, que fizeram a jovem esposa de Poe sofrer constantemente.

O começo do fim

Enquanto as duas mulheres interessadas em Edgar brigavam por sua atenção, Virginia descobriu que havia contraído tuberculose. Ela tinha apenas 20 anos quando sua vida passou a se resumir em tosses secas, dores e muito sangue.

Em pouco tempo, a forte saúde da moça caiu por terra e ela tornou-se uma mulher inválida. Poe entrou em uma depressão profunda e decidiu que os dois precisavam se mudar, para encontrar um lugar sossegado que ajudasse na recuperação de Virginia.

A casa de Edgar e Virginia já no final da vida da jovem / Crédito: Wikimedia Commons

 

Edgar voltou a entregar-se ao alcoolismo e escreveu diversas cartas, relatando a real situação de sua esposa, em 1847. "Minha pobre Virgina ainda vive, apesar de decair rapidamente”, lamentou. Virginia faleceu no dia seguinte, em 30 de janeiro.

No enterro da esposa, Edgar recusou-se a olhar para seu cadáver. Em cartas destinadas aos amigos, o autor demonstrou sua dor profunda e escreveu que amou Virgina “como nenhum homem jamais amou antes”.

Ele ainda teve diversos outros relacionamentos após o falecimento de sua jovem esposa. Segundo Frances Osgood, entretanto, “Virginia era a única mulher que Edgar jamais amara" em toda a sua vida, apesar das traições.


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