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O crânio que revelou a brutal morte de um soldado de Napoleão

No ano passado, pesquisadores europeus trabalharam com tomografias e tecnologia 3D para desvendar os momentos finais de um soldado morto em 1812

Caio Tortamano Publicado em 21/06/2020, às 09h00

O rosto reconstruído de soldado francês
O rosto reconstruído de soldado francês - Divulgação

Depois de mais de 200 anos, arqueólogos foram capazes de revelar os últimos momentos de vida de um soldado francês do exército napoleônico após árduas pesquisas em seu crânio encontrado em uma vala comum em uma província russa, no ano de 2006.

Em 2019, foi indicado que o combatente teria tido seu rosto perfurado por um sabre, enquanto os franceses bateram em retirada de Moscou em 1812. Com análises aprofundadas, a equipe da paleoantropóloga Dany Coutinho Nogueira da Universidade de Paris foi capaz de comunicar, inclusive, que médicos militares tentaram salvar a sua vida antes do último suspiro.

Com mais de 500 mil homens, o exército francês voltou das excursões para o leste europeu com cerca de 20 mil pessoas, encontrando uma Paris devastada.

"É uma história triste, mas infelizmente também é a história de centenas de milhares de jovens soldados do exército napoleônico e de outros exércitos europeus", afirma Nogueira. 

Identificação e morte

Juntamente com seu crânio e mandíbulas estavam outros 600 restos soldados franceses, identificados por insígnias e medalhas sepultadas. Através das ossadas, foi possível constatar que se tratava um homem que tinha 24 e 27 anos no momento da morte. Além disso, os ossos de sua coxa indicavam que ele andava regularmente a cavalo.

Nesse contexto, a situação mais provável para sua morte foi a de que algum cavaleiro — utilizando a mão direita — acertou o rosto do francês com no meio da lâmina, não mirando com a ponta da espada.

Graças ao relato prévio de um doutor da época das Guerras Napoleônicas, uma tentativa precária de costurar a boca de um sargento russo levou os pesquisadores a acreditar que o mesmo teria acontecido ao jovem francês.

Tanto que a causa mais provável de sua morte não foi nem o golpe, mas a infecção que ocasionou o tifo em seu corpo. "O fato de o soldado ter sobrevivido por cerca de dois meses, apesar dessa lesão, também mostra que cuidados, tratamento e atenção aos feridos continuaram durante o recuo, apesar das terríveis condições", disse Nogueira.

Reconstrução

Por meio de tomografias computadorizadas, a equipe reconstruiu o rosto do homem e sua mandíbula com o auxílio de técnicas 3D. Com exemplos de queixos de outros franceses da época, o rosto foi modelado.

Crânio do soldado / Crédito: Divulgação

 

Christopher Rynn, do Centro de Anatomia e Identificação Humana da Universidade de Dundee, afirmou que em crânios bem preservados como esse — que tem sua parte superior praticamente intacta — é comum e legítimo que simplesmente se imagine o lado que falta como uma cópia do que ainda está no lugar.

Dando face

As horas de trabalho com o soldado criaram uma identificação entre a equipe e o falecido. Como consequência, os pesquisadores foram além em sua reconstrução, dando a ele um rosto de verdade. A reprodução não foi arbitrária. Com a ajuda de um scanner, os rostos de centenas de pessoas são mapeados de acordo com o formato, e por aproximação a nova face surge pelo modo como é mais provável que ela tenha sido na realidade.

Com isso, um rosto arredondado foi criado, acompanhado do jaleco azul oficial dos soldados que foram encontrados na vala. Os cabelos e barba castanhos acompanham a maior probabilidade de terem sido reais — já que a maior parte dos registros aponta a cor como a mais frequente entre os franceses do exército de Napoleão.


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