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Gravidez no Egito Antigo: o peculiar método das mulheres descobrirem uma gestação

O modo curioso — e eficaz — era passado entre as gerações, influenciando também outras culturas

Joseane Pereira Publicado em 22/05/2020, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa de uma mulher e um bebê no Egito Antigo
Imagem meramente ilustrativa de uma mulher e um bebê no Egito Antigo - Wikimedia Commons

A utilização de métodos que detectem gravidez na Antiguidade é algo muito estranho ao pensamento moderno. Para nós, basta passar na farmácia mais próxima que a dúvida estará resolvida. Mas como as mulheres do Antigo Egito faziam para detectar se estavam grávidas ou não? Confira abaixo as últimas pesquisas na área.

Método eficaz

Segundo o egiptólogo Kim Ryholt, da Universidade de Copenhague, as egípcias de 3.500 anos atrás costumavam urinar em sacos de cevada e emmer (variedade de trigo), observando o que acontecia com ambos. No entanto, ela teria que esperar mais do que alguns minutos para ver uma mudança.

“Se eles crescerem, ela dará à luz: se a cevada crescer, é um menino. Se o emmer crescer, é uma menina. Se eles não crescerem, ela não dará à luz”, afirma o pesquisador. Estudado por historiadores e médicos, esse método antigo também foi confirmado por Institutos Nacionais de Saúde com 70% de eficácia.

Página do Papiro de Carlsberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

"Os modernos testes de gravidez dependem de proteínas que podem detectar um hormônio chamado gonadotrofina coriônica humana (hCG), mas os cientistas especulam que esse teste antigo funcionou tão bem porque níveis elevados de estrogênio na urina da mulher podem ter promovido o crescimento de sementes", afirmou um dos centros.

Os ensinamentos são provenientes da coleção Papyrus Carlsberg, que inclui aproximadamente 1.400 manuscritos datados entre 2.000 a.C. e 1.000 d.C. Além dos conhecimentos médicos, ele contém informações sobre astronomia, botânica e astrologia.

“Os textos estão danificados, escritos em um script antigo que poucas pessoas podem ler, e a terminologia é imensamente complexa. Há menos de uma dúzia de papiros médicos egípcios bem preservados. Qualquer coisa nova lançará uma luz importante”, afirmou Ryholt à rede televisiva CNN.

Para Sofie Schiodt, pesquisadora do projeto, os manuscritos ensinam também sobre as trocas culturais entre os egípcios e outros povos: “Muitas das ideias nos textos médicos do antigo Egito aparecem novamente em textos gregos e romanos posteriores. A partir dali, eles se espalham para os textos médicos medievais no Oriente Médio, e você pode encontrar vestígios até a medicina pré-moderna”.


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