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Nas Filipinas, cadáveres são pendurados em uma montanha

Os Igorot, ao norte do arquipélago, fazem seus próprios caixões na velhice. Ao morrerem, são colocados e içados na costa da montanha onde o povoado se encontra

Vinícius Buono Publicado em 22/08/2019, às 13h00

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- Crédito: Reprodução

Os Igorot, habitantes do norte de Luzón, a mais povoada das ilhas das Filipinas, possuem um costume peculiar: eles penduram os caixões de seus mortos na encosta da montanha.

O ritual que data de mais de dois mil anos, começou com as pessoas ainda em vida. Já em idade avançada, elas constroem o próprio caixão utilizando madeira local, escrevendo o nome na lateral.

Quando a morte chega de fato, os corpos dos anciães são colocados em uma cadeira, amarrados com folhas e cobertos com um lençol. Em seguida, são defumados para que a decomposição demore mais tempo. 

Caixões dos Igorot pendurados na montanha / Crédito: Reprodução

 

Os caixões costumavam ter cerca de um metro de comprimento, então, para mover o corpo da cadeira para seu descanso final, os Igorot precisavam quebrar os ossos do cadáver antes de colocá-lo em posição fetal. Entretanto, hoje eles estão fazendo ataúdes maiores para que esse passo não seja mais necessário.

Eles consideram que, ao ser colocado em posição fetal no caixão, há o encerramento do ciclo, como se estivesse do mesmo jeito que fica no útero da mãe.

Os homens do vilarejo prendem barras de metal na encosta da montanha para que a área de descanso seja suspensa e o falecido possa, finalmente, descansar. Existe um outro passo peculiar: alguns ficam na proximidade, esperando a "chuva" de fluidos do cadáver, pois acreditam que traz sorte.

Em outras localidades da Ásia, como Indonésia e China, é sabido que existe o costume de pendurar os mortos. Porém, o ritual em si é exclusivo dos Igorot, e eles fazem isso pela crença de que a pessoa ficará mais perto dos espíritos ancestrais.

Crédito: Reprodução

 

Apesar do número de pessoas que praticam o ritual ter diminuindo, os caixões na encosta da montanha acabaram virando uma atração turística à parte, o que foi muito bem vindo pelos filipinos, que, por seu isolamento, poderiam usar fontes mais diversas de renda.