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O que aconteceria se alguém morresse no espaço?

Em tragédias anteriores, as reações do corpo humano foram bizarras e impossíveis de serem reproduzidas na Terra

Wallacy Ferrari Publicado em 28/05/2020, às 08h00

Destroços da nave Columbia, que matou sete astronautas em 2003
Destroços da nave Columbia, que matou sete astronautas em 2003 - NASA

Na história das viagens aeroespaciais, as mortes sempre foram um problema cuidadoso, requerendo exames e treinamentos intensos para evitar qualquer falecimento por motivos que não sejam acidentais. As precauções até surtiram efeito, visto que nenhum astronauta faleceu por causas naturais, porém, ainda assim foram inevitáveis.

As 18 vítimas fatais das tentativas de desbravar o espaço tiveram causas comuns; a nave Soyuz 1, Soyuz 11 e o ônibus espacial Columbia tiveram problemas na reentrada terrestre, após dias de expedição. A única exceção foi em 1986, quando a nave Challenger explodiu durante seu lançamento, matando todos os sete passageiros.

Os problemas em relação ao resgate dos corpos foram facilmente resolvidos, visto que já estavam em direção a Terra quando as fatalidades ocorreram. No entanto, o que aconteceria se alguém falecesse fora da órbita da Terra, sem um plano de retorno já programado?

Seleção de imagens realizadas durante o resgate dos cosmonautas de Soyuz 11 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Exemplos fora de órbita

Em relação a pressão fora da nave, se houvesse algum rasgo no traje espacial enquanto um astronauta realiza uma manutenção externa na nave ou simplesmente, sai da órbita, a descompressão ocorrerá em aproximadamente 10 segundos, sem reações corporais imediatas, como lesões ou choques no organismo. Por isso, assim que notar a ausência de pressão, o membro deve ter um plano rápido de retorno para a nave.

Sem a pressão, algo semelhante ao ocorrido com os membros da Soyuz 11 ocorreria com o astronauta; os líquidos em seu corpo se transformam em gás e os gases se expandem, borbulhando todo em todo o organismo. O nitrogênio presente no sangue e a água presente nos músculos rapidamente inflariam, causando um desmaio e a diminuição da pressão sanguínea e da frequência cardíaca.

Em cerca de um minuto exposto a despressurização, os pulmões rasgarão devido a não estarem adaptados a tal pressão e, com a interrupção quase completa da pressão sanguínea, o sangue borbulharia como se estivesse fervendo, causando seu óbito no espaço. Se o astronauta não tiver um parceiro para resgatar seu cadáver, o problema seria ainda maior.

Resquícios carbonizados da capsula da Soyuz 1, onde Vladimir Komarov faleceu / Créditos: Divulgação

 

Um enterro digno

Apesar do inchaço, as baixas temperaturas e a diminuição das bactérias — que também podem morrer em tal situação — contribuem com a desaceleração da decomposição do corpo do astronauta, fazendo as agências espaciais criarem planos para que os corpos se mantivessem resfriados. Na Estação Espacial Internacional (ISS), a área mais fria da estação é o lixo, onde a sensação gelada desacelera o apodrecimento e contribui para evitar o mal cheiro.

Por esse motivo, o corpo ficaria mais seguro instalado na cabine do lixo até o retorno para o planeta Terra. Porém, se não houver outro passageiro, é possível que o corpo fique pairando e seja atraído pela órbita mais próxima, como a de um outro planeta ou um satélite natural, porém, seu corpo seria incinerado ao atingir certa velocidade durante a queda, como ocorreu com Vladimir Komarov na Soyuz 1.


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