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O que aconteceu com a casa que foi palco do sangrento fuzilamento dos Romanov?

O local passou por diversas alterações pouco honrosas até chegar na construção que é hoje

Caio Tortamano Publicado em 30/06/2020, às 19h00

Casa Ipatiev, onde a família Romanov viveu seus últimos e agonizantes momentos
Casa Ipatiev, onde a família Romanov viveu seus últimos e agonizantes momentos - Wikimedia Commons

Depois da revolução ocorrida na Rússia, a família Romanov — os czares que lideravam a nação — já não tinha mais espaço na União de Repúblicas planejada pelos bolcheviques. Com isso, Nicolau II e sua família encontraram abrigo na Casa Ipatiev.

Construída por volta de 1880, o sobrado era de um oficial do exército russo envolvido com a indústria de minas. Em 1898, a posse da mansão foi dada para um comerciante de ouro de reputação questionável, mas foi somente em 1908 que o engenheiro militar, Nikolai Nikolayevich Ipatiev adquiriu o imóvel dando nome ao local.

Vinda dos Romanov

A casa foi desocupada pelo engenheiro sem ter sido dadas maiores explicações para tal. Em abril de 1918, Nicolau, sua esposa Alexandra, as quatros filhas — Olga, Tatiana, Maria e Anastasia —, o príncipe herdeiro Alexei e alguns criados se alojaram no andar de cima em quatro aposentos diferentes.

A família Romanov em imagem colorizada / Crédito: Divulgação/Klimbim

 

Enquanto isso, no térreo, guardas se estabeleceram para garantir que a família real não iria tentar nenhuma fuga. Diariamente, era permitido que os moradores da casa visitassem os jardins — que eram cercados —, mas as janelas dos quartos eram pintadas para que permanecessem isolados do resto do mundo. 

Massacre

Por volta de meia noite do dia 16 para o dia 17 de julho de 1918, o comandante soviético Yorovsky foi até os aposentos do médico da família, o Doutor Yevgeny Botkin, e pediu que o mesmo acordasse os Romanov e os outros criados por eles estariam de partida para Ecaterimburgo.

A justificativa dada pelo soviético era a de que conflitos da Guerra Civil Russa, que se originaram depois da revolução teriam dado início a conflitos armados na cidade onde o sobrado ficava, e que precisavam ir para algum lugar seguro.

Depois de meia hora, os Romanov estavam prontos para partir, e foram mandados para esperar em um pequeno aposento aos fundos da casa. Foi lá que todos os membros da família foram assassinados pelos soldados soviéticos utilizando pistolas.

O local era pequeno e o número de pessoas era consideravelmente grande — 11 pessoas ao todo. Para piorar, as armas utilizadas não tinham um poder penetrativo tão grande, fazendo necessários mais de 20 minutos de tiroteio para que todos os membros da comitiva e da família morressem.

Na década de 1920 em diante, a casa foi tida na União Soviética como o último palácio dos czares, sendo considerado em 1927 como uma extensão do Museu da Revolução Ural. A partir de 1938 serviu como um museu anti-religioso.

E essa foi a tônica da casa ao longo dos anos, tendo ficado sob o comando do Partido Comunista da União Soviética por um bom tempo, sendo um local turístico para entusiastas da doutrina, que tiravam fotos em frente às paredes perfuradas do aposento em que os Romanov foram massacrados.

Demolição

Em 1977, porém, a mudança mais radical aconteceu no local. O Escritório Político do Partido Comunista decidiu que a casa não era de relevância história, e para comemorar os 60 anos do fim do czarismo, foi decidido pela demolição da casa, sendo assim feita em setembro do mesmo ano.

Igreja do Sangue, erguida em homenagem a família Romanov / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois da dissolução da União Soviética, em 1991, a chamada Igreja do Sangue — uma das maiores da Rússia hoje em dia — foi construída no lugar, como forma de honrar a vida dos últimos czares que foram massacrados naquele mesmo local.


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