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O que aconteceu com o Palácio de Versalhes após a Revolução?

Por mais surpreendente que pareça, o destino de Versalhes é muito semelhante ao que é destinado hoje em dia

Caio Tortamano Publicado em 08/07/2020, às 18h45

Frente do Palácio de Versalhes
Frente do Palácio de Versalhes - Wikimedia Commons

Por muito tempo um símbolo máximo da soberania absolutista das monarquias na Europa, o imponente Palácio de Versalhes surgia como um grande empecilho para os planos dos revolucionários franceses em 1789. A função daquele marco da exploração dos nobres para a população tinha que ter um novo sentido a partir da revolta.

Em outubro de 1789, a chamada Marcha sobre Versalhes reuniu uma boa multidão — inicialmente mulheres revoltadas com o alto preço do pão — que furiosamente retirou a família real do palácio, obrigando-os a se alojar no Palácio das Tulherias.

Ilustração da Marcha sobre Versalhes / Crédito: Wikimedia Commons

 

O monarca francês da época, Luís XVI, foi preso em junho de 1791 depois que a situação política começou a se radicalizar na França, e uma ordem da Assembléia Nacional Constituinte decidiu que todas as posses reais deveriam ser abandonadas e deixadas para trás.

Porém, Versalhes recebeu uma orientação especial, e foi solicitado que o local fechado e guardado. Enquanto isso, as mobílias e itens que lá estavam presentes foram leiloadas, sobrando somente artes e livros, que não foram postos a venda. Estes em específico iriam fazer parte do acervo de um museu, que seria erguido com o dinheiro revertido nas vendas dos leilões.

Já os outros aposentos que faziam parte do complexo de Versalhes, tais como a coleção de estátuas de metal do enorme jardim do Palácio — que chegou a ser cogitada que fosse derretida para virar canhões —, o chatô (prédio do palácio) e o próprio jardim deveriam ficar sob a guarda da República, como bens públicos.

Reestruturação

Após esse decreto, o Palácio funcionou por um bom tempo como um galpão para artes confiscadas de igrejas e casas de nobres, acumulando uma coleção de obras que tornou o local em praticamente um museu — algo que estava sendo avaliado pelos republicanos.

E assim o palácio passou a ser tratado, com pessoas influentes no governo como seus curadores. Porém, somente André Dumont, um representante do povo na Câmara francesa, que reparou que o casarão e o jardim estavam sob terríveis condições. 

Dumont rapidamente juntou um time de curadores, especialmente comerciantes que tinham boa ligação com políticos influentes, como foi o caso de Huges Lagarde, que se tornou bibliógrafo do museu. Antes, enquanto abandonado, o palácio tinha apenas pouco mais de 200 mil exemplares de livros, mas os esforços de Lagarde valeram a pena aumentando consideravelmente o número de itens.

Instabilidade da República

O fim do absolutismo não significou o fim dos problemas para a França, o momento de instabilidade causado pela revolução deixou alguns rombos econômicos consideráveis nos cofres públicos, e fez com que Versalhes se tornasse uma mina de ouro nessa situação. 

Os diversos espelhos foram confiscados pelo Ministério de Finanças para pagar as dívidas da República, as cortinas, estofados e franjas de mobílias foram enviados para a Casa da Moeda. Isso porque muitos desses artefatos contavam com fios de ouro e prata, e foram retirados de lá para serem melhor aproveitados em coisas mais úteis economicamente.

Além de museu — que era agora sua designação oficial —, Versalhes funcionou um tempo como um anexo para o Hospital de Inválidos do exército francês. Essa função, porém, coube somente a parte do palacete inteiro, ainda sim conseguindo acolher muitos soldados feridos dada sua proporção gigantesca.

Mudanças 

Em 1797, Versalhes recebia o nome de Muséum national, mas acabou sendo renomeado depois de uma reestruturação organizacional, passando a adotar o nome de Musée spécial de l'École française. O local passou a ter um ar muito mais artístico, recebendo obras de artistas que visavam entrar na Academia Real de Pintura e Escultura.

Obras famosas atualmente como A Vida de São Bruno, por Eustache Le Sueur, e Vida de Maria de Médici, por Peter Paul Rubens, ficaram expostas lá por um tempo. Um dia símbolo da aristocracia francesa, agora eram as mais belas obras da França o destaque do interior de Versalhes.

Assim permaneceu por um bom tempo — até hoje, na realidade, já que o palácio conta com um considerável acervo de obras —, com um pequeno intervalo durante o império de Napoleão, em que foi utilizada como residência pelo líder.


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