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O sushi erótico do Faustão que abalou a alta cúpula da Globo

Em meio a disputa pela audiência dominical, programas de televisão adotaram a tática do vale-tudo para manter seus índices de telespectadores

Fabio Previdelli Publicado em 08/02/2020, às 10h00

Márcio Garcia, Mateus Rocha e Oscar Magrini apareceram para fazer comentários no sushi erótico do Faustão
Márcio Garcia, Mateus Rocha e Oscar Magrini apareceram para fazer comentários no sushi erótico do Faustão - Reprodução

O vale-tudo pela audiência dominou a televisão nos anos 1990. Cada programa tinha o próprio método peculiar para conseguir um segundo que fosse da atenção dos telespectadores. A principal guerra pelo público acontecia aos finais de semana, principalmente aos domingos. Em outubro de 1997, essa disputa televisiva ganhava um importante capítulo com a mudança na grade de programação do SBT.

Na ocasião, o programa de Gugu Liberato tinha sido passado para a hora do almoço, com a esperança de bater de frente com a atração apresentada por Fausto Silva — que vinha perdendo audiência.

A alteração deu resultado para a emissora de Silvio Santos e a Globo precisava agir rapidamente. Para inibir a queda de televisores ligados no canal do “plim plim”, o Programa do Faustão exibiu um quadro em que um produtor tirava as medidas do bumbum de Carla Perez — que fazia sucesso pelo seu rebolado no grupo É O Tchan.

Houve um equilibro entre as audiências do programa, mas o Domingão precisava de mais. Duas semanas depois, a produção do apresentador usa aquele que seria o super trunfo dessa disputa: o sushi erótico do Faustão.

No dia 26 daquele mês, três modelos apareceram praticamente nuas no palco de Fausto Silva — cobertas apenas com iguarias da culinária oriental. Para completar a apelativa atração, Márcio Garcia, Mateus Rocha e Oscar Magrini apareceram para fazer comentários sobre os corpos das moças.

O Domingão batia os 29 pontos de audiência, deixando SBT e Gugu para trás — embora a média dominical tenha sido favorável para a emissora de Silvio Santos.

Dois dias depois, a Folha de S.Paulo noticia que o programa de Fausto deixou Roberto Marinho, então presidente das Organizações Globo, “horrorizado”. O jornal ainda apurou que após a exibição do polêmico quadro, a direção do programa se reuniu para discutir o saldo do dia e planejar as próximas atrações.

"A Folha apurou também que Roberto Irineu Marinho e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho [Boni] se reuniram para discutir o programa. A pauta foi decidir se os quadros com forte apelo sexual continuam e, em caso negativo, qual estratégia será adotada para reverter a queda de audiência do programa”, afirmava a matéria.

O veredito veio no dia seguinte, com a conclusão de que a guerra sem limites pela audiência acabaria. "Não apresento mais isso. Para mim, acabou. Baixaria nunca mais", afirmou Fausto Silva em entrevista ao jornal O Globo. "Uma atração que fica oito anos no ar, líder de audiência, que expulsa o Silvio Santos, o monstro sagrado da televisão, do horário, é um bom programa. O problema é que todo programa como este, com 240 minutos de duração e 52 edições inéditas por ano, tem que buscar fôlego".

No mesmo bate-papo, Faustão disse que em nenhum momento concordou com a atração. "É lógico, eu já sabia o que ia ao ar e não estava de acordo. Até as piadas, em sua maioria, ficaram sem graça”.

A disputa Gugu/Faustão só chegou ao fim em 2003, quando o apresentador do SBT exibiu uma entrevista falsa com membros do PCC — o que abalou pra sempre sua reputação.


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