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Onde foi parar a cruz em que Jesus Cristo foi crucificado?

Atualmente, pedaços da cruz estariam espalhados por mais de mil diferentes igrejas do mundo. É possível?

Redação Publicado em 25/12/2019, às 08h00

A representação de Jesus na Cruz por Diego Velazquez
A representação de Jesus na Cruz por Diego Velazquez - Getty Images

O poder simbólico das relíquias é muito grande. E não apenas para as pessoas religiosas. O mercado de autógrafos de celebridades, o comércio de mechas de cabelo e objetos pessoais, o turismo a casas onde pessoas de renome viveram... Objetos que foram tocados por pessoas importantes são considerados especiais, como se tivessem absorvido uma centelha de genialidade.

Quando se trata da vida do filho de Deus segundo os cristãos, então, qualquer relíquia ganha ares de sagrada e milagrosa.

Desde o crescimento do cristianismo, a partir do século 2, começou a busca por objetos que tenham feito parte da vida, da morte e da ressurreição de Jesus. Em séculos mais recentes, para parte considerável dos cientistas, pensadores e formadores de opinião ocidentais, as relíquias do cristianismo perderam apelo religioso. Mas continuaram importantíssimas. Uma delas é a cruz onde Jesus foi executado.

Neste território de lendas, a maneira como o objeto original teria sido encontrado é cercada de histórias fantásticas. A mais citada faz referência a Helena, mãe do imperador Constantino, que transformou o império romano em cristão. Já muito idosa, a imperatriz, e governante de fato do reino, seguiu da capital até Jerusalém, onde chegou no ano 328.

Moisaico de Jesus Cristo em Istambul / Crédito: Getty Images

 

Graças a uma visão, teria encontrado no monte Gólgota o lugar exato onde estavam três cruzes: a de Jesus e a dos dois ladrões que o acompanharam no suplício segundo os Evangelhos.

Para selecionar qual seria a correta, ela teria colocado cada uma delas diante de uma senhora moribunda, levada até o local. No contato com duas, a mulher teria gritado, horrorizada. Ao olhar a última, teria se levantado sorrindo, curada e bem disposta – afinal, a simples visão do objeto que tocou o corpo, o sangue e o suor de Jesus em seus momentos finais na Terra, antes da ressurreição, seria mais do que suficiente para operar milagres.

Já em Jerusalém, a imperatriz Helena teria mandado partir a relíquia em dois pedaços. Levou um para Roma e manteve o outro na cidade da crucificação. Desde então, a peça teria sido quebrada em pedaços menores e distribuída para igrejas e mosteiros da África, da Ásia e do Oriente Médio. Entretanto, historiadores não acreditam tanto nessa possibilidade.

Uma das relíquias que guarda o fragmento da cruz de Jesus / Crédito: Divulgação

 

Os romanos crucificaram dezenas de milhares de pessoas ao longo de cinco séculos. Ainda assim, é praticamente impossível encontrar um pedaço de madeira (possivelmente carvalho) que tenha sido usado em uma cruz.

As colunas de sustentação ficavam fincadas no solo e se perderam com o tempo. E os mastros horizontais, que os condenados carregavam para que fossem pregados a seus punhos, eram todos reaproveitados. Ainda assim, pedaços da cruz de Jesus estão espalhados por mais de mil diferentes igrejas do mundo. Como é possível?

“Não é”, responde Mark Goodacre, professor do Departamento de Religião da Universidade Duke. “As buscas pela cruz de Cristo começaram 200 anos depois de sua morte. Mesmo que os discípulos tivessem ido atrás da relíquia já no dia seguinte à crucificação, dificilmente encontrariam a madeira correta”.