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Os 8 maiores duelos da História

Debates, ofensas contra esposas e até mesmo comentários sobre envelhecimento, resultaram em conflitos resolvidos com pistolas e espadas

André Nogueira Publicado em 03/10/2019, às 11h33

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1. Alexander Hamilton e Aaron Burr (1804)

Crédito: Reprodução

 

O início da República dos EUA foi bastante conturbado e muitas vezes intrigas políticas acabaram na troca de balas. As tensões políticas durante os anos 1800 culminaram no duelo mais famoso do país, envolvendo o ex-tesoureiro e federalista L. Hamilton e o vice-presidente A. Burr. Durante o insólito episódio, Hamilton difamou Burr por considerá-lo oportunista, fazendo campanha contra sua candidatura ao governo de Nova York. Então, convocou um duelo de pistolas para restaurar sua honra.

Os políticos se juntaram em um campo de duelos em Nova Jersey, onde o filho de Hamilton teria morrido em outro desses eventos. Relatos apontam que o objetivo do federalista era disparar apenas um tiro simbólico que não atingisse Burr e, assim, resolver tudo na paz. Porém, o alvo, sem maiores conflitos, atingiu Hamilton no estômago, o que levou à sua morte. Como não era comum a morte em duelos na época, o resultado foi uma onda de indignação e a destruição da reputação de Burr.

2. Lady Almeria Braddock e Mrs. Elphinstone (1792)

Crédito: Reprodução

 

Há o caso ocorrido em Londres onde uma mulher conhecida como Sra. Elphinstone, que foi até a casa de Almeria Braddock para uma conversa e uma xícara de chá. O que era para ser um encontro descontraído acabou se tornando uma tensa confusão quando, despretensiosamente, Elphinstone soltou um comentário sobre a idade da anfitriã. Então, descontente, Braddock a desafiou para um duelo.

Ao se confrontaram no Hyde Park da capital, a sra. Elphinstone foi a primeira a disparar. Atingiu o chapéu de Lady Braddock, que caiu no chão. Elas decidiram mudar para as espadas, momento em que a desafiante se vingou, ferindo o braço da oponente. O conflito, ocorrido em 1792, ficou conhecido como o Duelo de Anágua e terminou sem baixas: a resolução foi a redação de uma carta de desculpas por Elphinstone.

3. Miyamoto Musashi e Sasaki Kojiro (1612)

Monumento atual do icônico duelo / Crédito: Wikimdeia Commons

 

Entre os espadachins mais conhecidos do Japão no século 17, havia uma rivalidade entre os mais proeminentes deles: Miyamoto Musashi e Sasaki Kojiro, arquirrivais que se encontraram para um duelo final nas costas isoladas da ilha Ganryū. Musashi teria se atrasado por horas, tempo que usou para identificar e analisar o oponente, enquanto carregava uma espada de madeira de remo. Quando chegou, foi rapidamente atacado por Kojiro, num movimento chamado Corte de Andorinha.

No entanto, antes de atingir Musashi, Kojiro recebeu um golpe sorrateiro que o matou, encerrando o embate dos melhores samurais daquele tempo. A torcida de Kojiro se indignou, acusando trapaça, mas Musashi pulou ligeiro de volta para seu barco e voltou em segurança para casa. Depois, se tronou um famoso pintor.

4. Édouard Manet e Edmond Duranty (1870)

Manet e Duranty, grandes amigos / Crédito: Reprodução

 

A coisa ficou feia quando o famoso pintor Manet enfureceu-se depois de ler uma única frase crítica a duas obras suas feitas pelo crítico de arte Edmond Duranty, amigo íntimo do pintor. Furioso, Manet entrou no Café Guerbois, em Paris, surpreendeu Duranty com um tapa na cara e o desafiou para um duelo de espadas.

Os dois teriam iniciado o combate na Floresta de Saint-Germain, tendo Emile Zola aparecendo como possível substituto de Manet no combate. Entretanto, no primeiro golpe dado pelos oponentes, as espadas teriam se encaixado de maneira que ficaram presas, gerando apenas uma pequena ferida em Duranty. Manet, então, declarou sua honra plenamente defendida e voltou a trabalhar em sua amizade com o derrotado.

5. Alexander Pushkin e Georges d'Anthès (1837)

Cena final do duelo, retratada por Alexey A. Naumov / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na década de 1830, o francês George d’Anthés perseguia a esposa do proeminente escritor russo Alexander Pushkin, Natalya, em São Petersburgo. Pushkin costumava retrucar com ameaças e xingamentos. Com o tempo, d’Anthés decidiu se casar com Ekaterina, irmã de Natalya, para acalmar a ira do russo.

Entretanto, em janeiro de 1937, mesmo mês do casamento, os cunhados travaram um duelo envolvendo pistolas e espadas. D’Anthés levou apenas um corte no braço, mas Pushkin morreu com uma bala no estômago.

6. Isabella de Carazzi e Diambra de Pettinella (1552)

Duelo de Mujeres, de José Ribera / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na Nápoles do século 16, houve um caso em que a disputa por um belo solteiro chamado Fabio de Zeresola levou ao duelo entre Isabela de Carazzi e Diambra de Pettinella, invertendo a ordem normal da época de duelos entre homens por uma mulher. O duelo se resumiu a uma luta de espadas na praça pública.

Não se sabe como acabou essa história, mas o ocorrido ganhou conhecimento do público em geral, que especulou e fofocou sobre a briga. Em 1636, o pintou José de Riberta produziu a obra Duelo de Mujeres, imortalizando o acontecimento.

7. Ben Jonson e Gabriel Spenser (1598)

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Ben Jonson foi um dramaturgo elisabetano importante do século 16 que cresceu cultivando a fama de garoto mau e agressivo, trabalhando como soldado violento, escrevendo críticas inflamadas e vivendo uma vida resumida em bebedeiras.

Em setembro de 1598, ele entrou em um debate sobre a melhor companhia de teatro da Inglaterra com o ator Gabriel Spenser, que resultou num duelo onde Jonson matou o garoto. Condenado à morte por assassinato, ele apelou para o Benefício do Clero (recitação de trechos da Bíblia para escapar da pena) e teve só sua propriedade confiscada.

8. Andrew Jackson e Charles Dickinson (1806)

Crédito: Reprodução

 

O que seria o futuro presidente dos EUA, Andrew Jackson já entrou em um duelo contra Charles Dickinson. Tudo começou com trocas de insultos entre os cavalheiros. Dickinson, tocando num ponto fraco de Jackson, chamava sua esposa de bígama, pois Jackson casou-se com ela enquanto ela ainda era oficialmente casada com o primeiro marido, fazendo com que o Andrew ficasse extremamente nervoso. Como consequência, ele o convocou para o duelo de pistolas.

Como estes duelos eram proibidos na cidade, os dois foram para Logan, no Kentucky, e lutaram. Jackson disparou o primeiro tiro contra Dickinson. Em seguida, foi atingido no peito, mas se manteve de pé. Assim, mirou cuidadosamente e puxou o gatilho, que estava travado. Andrew Jackson engatilhou novamente o revólver e tentou atirar, dessa vez atingindo bem no meio do peito de Dickinson, que morreu algumas horas depois. Jackson sobreviveu e se tornou presidente.