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Os cruéis abusos cometidos pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra do Iraque

Os detidos nas prisões militares estadunidenses eram submetidos a torturas que iam do abuso sexual até puro assassinato

Isabela Barreiros Publicado em 19/10/2019, às 09h00

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- Wikimedia Commons

Em 2003, iniciou-se a Guerra do Iraque. O conflito foi responsável pela morte de mais cem mil iraquianos, além de militares estadunidenses e britânicos, segundo o IBC (Iraq Body Count). Mas o Exército dos Estados Unidos ainda cometeu crimes encobertados em um lugar muito específico do país: na prisão de Abu Ghraib, Iraque.

Durante o período de intervenção norte-americana no local, os detidos sofreram com uma série de violações de direitos humanos. As torturas que eram realizadas no cárcere foram de abuso sexual até puro assassinato.

O local foi uma das maiores prisões usadas no governo de Saddam Hussein no país, chegando a abrigar aproximadamente 50 mil homens e mulheres. No período de invasão estadunidense, os militares passaram a usar a instalação como uma prisão militar, encarcerando por volta de 7.500 prisioneiros. Ela estava localizada a 32 km de Bagdá, capital do Iraque.

Em novembro daquele ano, a Associated Press fez um relatório explicitando a situação da detenção. As violações feitas pelos militares do exército estadunidense eram estupros, abusos físicos, sodomia, entre outras torturas. Mas o público só soube da gravidade dessas ações com as fotografias publicadas pela CBS News, em abril de 2004.

Na época, o presidente dos Estados Unidos chegou a afirmar que os crimes eram atos isolados, não fazendo parte da política o país no geral. Alguns dos militares envolvidos em Abu Ghraib foram condenados e presos em cadeias do exército.

Mas o Comitê Internacional da Cruz, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch contestaram essa declaração. As organizações alegam que o tratamento dado aos detentos da prisão iraquiana não era uma situação específica. Segundo elas, a brutalidade acontecia em outros lugares além do Iraque, como no Afeganistão e Baía de Guantánamo, em Cuba.

A Cruz Vermelha também fez relatórios denunciando o caso. Isso fez com que o major-general Antonio Taguba começasse uma investigação sobre a prisão. A apuração ficou conhecida como Relatório Taguba.

"Numerosos incidentes de abusos criminais sádicos, flagrantes e arbitrários foram infligidos a vários detidos. Esse abuso sistêmico e ilegal de detidos foi intencionalmente perpetrado por vários membros da força de guarda da polícia militar”, escreveu o militar.

Documentos conhecidos como Memorandos de Tortura demonstraram a participação do governo nos crimes. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou, por via desses papeis, algumas técnicas de interrogação. As consequências disso foram as duras torturas realizadas no local.

Veja algumas das imagens que foram transmitidas pela CBS News em 2004 (elas podem ser sensíveis).

Crédito: Wikimedia Commons

 

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