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Os curiosos mictórios nas ruas de Paris

Chamados de “Uritrottoir”, os dispositivos ecológicos mostrados em 'Emily Em Paris' já causaram polêmica na capital francesa

Redação Publicado em 06/01/2022, às 11h01

O  “Uritrottoir”, mictório francês
O “Uritrottoir”, mictório francês - Roland Belote via Wikimedia Commons

Ao longo dos anos, governos vêm tentando lidar com a prática de cidadãos que urinam nas ruas das cidades, em público, em atos de incivilidade que levam à aplicação de leis em muitos lugares do mundo.

Em Paris, por exemplo, a prefeitura começou a aplicar, em 2015, uma multa de 68 euros, o equivalente a R$ 439, segundo a cotação atual, a quem jogar bitucas de cigarro nas ruas, qualquer outro detrito e, inclusive, urinar em vias públicas.

Anos depois do endurecimento da lei contra incivilidade, a capital francesa implementou outra medida, que acabou causando mais polêmica que a primeira. Em 2018, foram instalados mictórios públicos considerados “ecológicos” nas ruas da cidade.

Como relatou a AFP, o dispositivo poderia até ter um intuito inicial de ajudar o meio ambiente e diminuir o problema de urina nas ruas, mas acabou por ser completamente exposto, sendo colocado em locais históricos e importantes para a história de Paris.

Os mictórios chamaram a atenção de quem assistiu a série Emily Em Paris. Lançada pela Netflix, a produção mostra a saga de uma americana que trabalha durante um ano em Paris e se depara com costumes e tradições diferentes de sua realidade. Em um dos episódios, ela se depara com um homem que urina em um dos dispositivos. Assim intrigando os assinantes da plataforma de streaming.

 
 
 
 
 
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Intitulado de "Uritrottoir", uma junção das palavras mictório e calçada em francês, o equipamento é uma “caixa” com uma abertura na frente, que permite que a pessoa urine dentro.

Conta ainda com uma bandeja inferior, que contém matéria seca, podendo ser palha ou serragem, por exemplo, que evita a produção de odores. Além disso, também inclui um canteiro de flores em cima, transformado em adubo para parques e jardins.

Laurent Lebot e Victor Massip foram os responsáveis pelo projeto do mictório e afirmam que ele oferece uma "solução ecológica para o ato de urinar em público"; a ideia é que o processo permita o reaproveitamento dos compostos usados no produto.

A urina dos mictórios também é coletada após seu preenchimento e usada como fertilizante agrícola, visto que possui fosfatos importantes que possibilitam que ela seja valorizada como adubo natural para plantas.

No entanto, a ideia não foi muito bem vista pelos moradores de Paris, que se revoltaram com a instalação dos equipamentos em 2018.

 
 
 
 
 
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Muitos habitantes explicaram à agência de notícias que os dispositivos estão desprestigiando os locais antigos relevantes em que foram colocados, dando uma visão ruim às regiões importantes.

Foi o que disse Paola Pellizzari, dona de uma loja de arte veneziana, à AFP em 2018. Na época em que os mictórios eram novidade, ela afirmou: "Não há necessidade de colocar algo tão insolente e feio em um lugar tão histórico".

Um dos pontos em que o dispositivo foi instalado foi nas proximidades da catedral de Notre-Dame, em frente aos barcos turísticos que navegam pelo rio Sena, na ilha de Saint-Louis.

"É do lado da casa mais bonita da ilha, o Hôtel de Lauzun, onde Baudelaire [poeta francês do século 19] viveu", explicou Pellizzari, que também ficou indignada com o fato de o equipamento ter sido colocado lá.

Como não tem nenhuma divisória em relação ao ambiente em que foi colocado, o dispositivo está sendo acusado de “manchar” a imagem do bairro e da cidade de maneira geral. A parisiense também receia que ele "incite o exibicionismo".

 
 
 
 
 
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A estrutura, no entanto, continua nas ruas parisienses e é defendida pelas autoridades. O administrador do bairro que conta com mictórios ecológicos em Saint-Louis, Ariel Weil, disse na época que eles devem permanecer.

"Se nós não fizermos nada, então os homens vão apenas continuar a fazer xixi nas ruas", afirmou. "Se realmente estiver incomodando as pessoas, nós encontraremos outro local".