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O que revelou a farsa do caso von Richthofen?

Em 2002, Suzane e os Irmãos Cravinhos cometeram um crime inimaginável. Anos mais tarde, eles mesmos destruíram seus álibis

Pamela Malva Publicado em 01/11/2020, às 17h59 - Atualizado às 18h12

Família von Richthofen nos poucos momentos descontraídos
Família von Richthofen nos poucos momentos descontraídos - Wikimedia Commons

Desde o início, os policiais que investigavam o caso von Richthofen sabiam que tinha algo muito estranho na história contada pelos envolvidos. Para começo de conversa, o suposto latrocínio que teria acontecido no crime não parecia nem um pouco verdadeiro.

Como a cena do assassinato parecia encenada demais, os oficiais logo concentraram seus esforços nas pessoas mais próximas de Manfred e Marísia von Richthofen. Assim, os dois filhos, os empregados, colegas e pacientes do casal foram investigados.

Acompanhada tanto pelos Irmãos Cravinhos, quanto por um bom time de advogados, Suzaneconstruiu uma história que quase passou pelos olhares afiados dos policiais. Alguns deslizes, no entanto, acabaram com a versão contada pelos acusados.

Os irmãos Cravinhos e Suzane apreendidos pela polícia / Crédito: Divulgação

 

Sonho de consumo

Tudo começou nos primeiros interrogatórios de Suzane, Cristian e Daniel Cravinhos, as três pessoas mais suspeitas na época. Bem combinados, os três deram versões bastante parecidas em seus testemunhos. Álibis e linhas do tempo combinavam, por exemplo.

Eventualmente, entretanto, alguns detalhes exigidos pela polícia começaram a entrar em contradição. Para piorar, Cristian fez a compra suspeita de uma moto poucos dias após o crime, quando milhares de reais foram roubados da família. Foi o primeiro deslize.

Com essa nova pista em mãos, a polícia prendeu o primeiro irmão preventivamente enquanto interrogava Daniel. No dia 8 de novembro de 2002, então, em seus segundos testemunhos, os três acusados assumiram o assassinato.

Fotografia de Daniel e Suzane / Crédito: Divulgação

 

Fala demais

No dia 20 de novembro, logo depois de confessar, Suzane, que era tida como manipuladora e perversa, foi levada para a Penitenciária Feminina do Carandiru. Mais tarde, em 2004, ela teve seu habeas corpus negado; pedido que foi aceito só em 2005.

Mesmo após o assassinato, portanto, a jovem Suzane desfrutou de nove meses em liberdade provisória. O problema veio quando, durante uma edição do programa Fantástico, a acusada e sua equipe de advogados deslizaram mais uma vez.

Acontece que, na reportagem, os jornalistas captaram Suzane e seus defensores combinando a história que ela contaria para os espectadores. Vestida com roupas infantis, a acusada deveria fazer certo drama, mas isso não aconteceu.

Denivaldo Barni dando orientações para Suzane / Crédito: Divulgação

 

Castelo de mentiras

Exibida no dia 9 de abril de 2006, a reportagem do Fantástico revelou que o promotor Denivaldo Barni dizia para Suzane chorar na frente das câmeras, enquanto o advogado Mario Sérgio de Oliveira lhe dava um roteiro completo com o que deveria falar.

A partir das cenas gravadas, o promotor Roberto Tardelli justificou o pedido de prisão de Suzane. “Descobriu-se a farsa. O tiro saiu pela culatra e ela poderia fugir porque tem pouco a esperar do julgamento”, declarou ele na época.

Dois julgamentos mais tarde, às 2h da manhã do dia 22 de julho de 2006, a sentença de Suzane e dos Irmãos Cravinhos foi proferida. Pelo assassinato cometido em 2002, cada um dos três acusados recebeu 39 anos de cárcere. Foi assim que, de repente, toda a história tecida por Suzane e seus comparsas simplesmente se desmanchou.


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