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Os dias infernais de Marilyn Monroe em uma clínica psiquiátrica

"Eu senti como se estivesse em uma prisão por um crime que eu não havia cometido", escreveu Monroe em uma carta no ano de 1961

Vanessa Centamori Publicado em 23/04/2020, às 13h00

Marilyn Monroe em Os Desajustados (1961)
Marilyn Monroe em Os Desajustados (1961) - Divulgação

Em 1960, durante a filmagem do faroeste Os Desajustados (1961), a atriz Marilyn Monroe suava no deserto de Nevada, cujo calor chegava aos 38 graus. Mas não foi só o calor infernal que a incomodava, mas também seu esgotamento em frente às câmeras e ainda por cima a crise que ela vivia com o então marido Arthur Miller, em pleno set. 

O roteiro do filme parecia ilustrar bem a agonia de Monroe: o longa aborda uma mulher que está de coração partido, em processo de divórcio. A musa de Hollywood, justamente enquanto realizava as gravações, também vivia uma desilusão amorosa, ao ver o seu próprio marido se apaixonando pela fotógrafa Inge Morath — com quem ele se casou um ano depois, em 1962. 

Nada estava certo nos bastidores. O ator Montgomery Clift batalhava contra o abuso de drogas; o par romântico de Marilyn Monroe no filme, Clark Gable, morreu de um ataque cardíaco menos de uma semana após o término da produção; e o diretor, John Huston, passou grande parte das filmagens bêbado e raivoso.

O ator Montgomery Clift, Marilyn onroe e Clark Gable nas filmagens de Os Desajustados / Crédito: Divulgação 

 

A própria fotógrafa, que estava tendo um caso com o marido de Monroe, comentou que a atriz não parecia estar nada bem. O depoimento de Inge Morath foi publicado em 2011, no livro Os Desajustados: a história de uma filmagem, de Serge Toubiana. 

"Era claramente visível que Marilyn estava causando problemas. Sempre chegava tarde, o que não era divertido para os demais", afirmou a fotógrafa, segundo o portal IG. "O filme estava atrasando muito. Mas quando chegava, todos ficavam encantados de vê-la!". 

Marilyn Monroe bem que tentou manter uma imagem simpática, mas logo se afundou em um mundo de medicamentos prescritos. Separou-se de Miller em 11 de novembro de 1960. Alguns meses depois, foi internada por sua psicanalista Dra. Marianne Kris na Clínica Psiquiátrica Payne Whitney, em Nova York.

Marilyn Monroe em 1954 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Revelações por correio 

Em uma carta de seis páginas, redigida em março de 1961, para seu psiquiatra, Dr. Ralph Greenson — que encontrou a atriz morta um ano depois — a estrela detalha seu tempo angustiante na intituição de saúde mental. 

Segundo Monroe, não havia nenhum tipo de empatia no hospital psiquiátrico: ela foi colocada em uma "cela", decrita como um local com "blocos de cimento e tudo, para pacientes perturbados e depressivos".

"Eu senti como se estivesse em uma prisão por um crime que eu não havia cometido", escreveu a moça. "A desumanidade era arcaica". Conforme ela revela na carta, os pacientes ficavam trancados com chave.

Aliás, tudo era fechado: gavetas, banheiros e armários. As janelas, por sua vez, tinham barras. Já as portas possuíam aberturas para que os pacientes pudessem ficar visíveis o tempo todo. "A violência e as marcas dos ex-pacientes ainda permanecem nas paredes", relatou Monroe. 

Marilyn Monroe em Almas Desesperadas (1952) / Crédito: Divulgação 

 

Para se rebelar contra a internação, a atriz relatou ainda que se inspirou em um filme no qual ela tinha participado anos antes: o longa Almas Desesperadas (1952), no qual Monroe vive uma mulher com tendências suicidas. "Peguei uma cadeira leve e a massacrei contra o vidro intensionalmente. Foi algo difícil de fazer, pois nunca tinha quebrado nada na vida", afirmou na carta. 

Marilyn ameaçou a equipe psiquiátrica de machucar a si própria, caso não a soltassem. E disse aos funcionários que "se fossem tratá-la como louca, ela também agiria como uma". Mas, segundo o depoimento, aquilo foi apenas um blefe digno de uma atriz.

Foram quatro dias angustiantes os quais ela teve de suportar. Forçada na hora de tomar banho, relatou ainda ter perdido sua privacidade e liberdade. Conforme chorava e se rebelava, mais os médicos insistiam em contê-la.

Não se adaptando à situação, Monroe foi retirada do hospital psiquiátrico pelo segundo marido, Joe DiMaggio, que exigiu que ela recebesse alta antes, apesar das orientações médicas aconselharem o contrário. 

Marilyn em uma de suas últimas sessões para a revista Cosmopolitan, em julho de 1962 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Triste fim

A luta da atriz contra a depressão e ansiedade e seus vícios teve um fim trágico no dia 5 de agosto de 1962, quando ela foi encontrada morta no quarto de sua casa, em Los Angeles.

O psiquiatra Ralph Greenson foi acordado pela empregada, Eunice Murray, um pouco antes da morte da estrela de Hollywood. Mas já era tarde: ela estava morta. De acordo com a perícia médica, Monroe teria morrido de overdoce de barbitúricos, uma classe de remédios psiquiátricos. 


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