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Os mistérios do verdadeiro rosto de Cleópatra

Diferente de Elizabeth Taylor na lendária representação da Rainha do Nilo nas telonas, a beleza da faraó não era nada convencional

Alana Sousa Publicado em 23/09/2020, às 16h00

Montagem de Elizabeth Taylor como Cleópatra e uma reconstrução digital do rosto da faraó
Montagem de Elizabeth Taylor como Cleópatra e uma reconstrução digital do rosto da faraó - Divulgação/Creative Commons

“Uma mulher de beleza incomparável”. Assim o historiador romano Cássio Dio descreveu Cleópatra, que governou o último Reino Ptolemaico do Egito. A faraó se tornou um símbolo da Antiguidade, seu legado sobrevive através de inúmeras obras de arte (antigas e modernas). Tanto seu emblemático — e controverso — suicídio, quanto sua habilidade de comando à frente de um dos mais poderosos impérios do passado, a Rainha do Nilo que morreu há mais de dois mil anos permanece viva por meio da História.

Eternizada pela icônica beleza de Elizabeth Taylor, no filme de Joseph L. Mankiewicz, intitulado Cleópatra (1963), quando os arqueólogos desenterraram, em 2007, uma moeda com o rosto da faraó, o imaginário popular foi despedaçado. O busto da mulher ilustrada no pequeno artefato não se assemelhava em nada com a lendária estrela de Hollywood.

Elizabeth Taylor como Cleópatra, em 1963 / Crédito: Getty Images

 

O verdadeiro rosto de Cleópatra

Com um queixo saliente, nariz pontudo e testa proeminente, a rainha surpreendeu aqueles que já ligavam sua verdadeira face com o da atriz americana. Até mesmo sua famosa franja não era real, assim como outras mulheres egípcias costumavam fazer, a governante raspava totalmente sua cabeça e usava perucas com cabelos trançados e um coque de cachos curtos ao redor da testa. Um longo debate do real rosto de Cleópatra, então, teve início.

Diferente do que grande parte das pessoas e da grande mídia pensava, as características faciais da faraó de nada impressionou os especialistas. Isso, pois, outra moeda — ainda mais rara — fora encontrada, dessa vez com o rosto do pai de Cleópatra estampado, Ptolomeu XII. A relíquia mostrava um homem com queixo e nariz avantajado, o que indicou para os pesquisadores um possível traço de família.

Moeda de Cleópatra cunhada em Israel / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar dos esforços em descredibilizar o rosto da rainha, não há motivos para crer que as moedas estejam equivocadas. Os artistas do mediterrâneo seguiam diretrizes inflexíveis: deveriam retratar com a maior assertividade possível imperadores e pessoas de grande relevância para a sociedade.

O mesmo caso pode ser aplicado aos imperadores Marco Antônio e Júlio César, esses que de nada se pareciam com figuras famosas que os interpretaram no cinema. Enquanto Marco tinha um nariz quebrado e um queixo anormalmente grande, César fora retratado com uma coroa de louros para disfarçar sua calvície.

Eterno mito

Seria mais fácil e bem aceito se o rosto da destemida líder do Egito Antigo permanecesse um eterno mistério, afinal, o mito de sua história de amor, conquista e morte consumiu a ideia de que ela era uma mulher comum, a parte humana de Cleópatra é minimizada perto da lenda do passado.

A realidade dos seus retratos e representações entra em combate com a idealização da rainha popularizada em filmes de romance. Não só sua verdadeira face foi alvo de debate entre os entusiastas e especialistas, a raça da faraó é constantemente objeto de discussão.

Assim seria o rosto da faraó / Crédito: Divulgação

 

Seria ela branca por ser originalmente grega, ou negra por parte de seu pai ptolomaico? Fato é que, mais uma vez, a pele clara e olhos azuis pertenceram apenas à intérprete da rainha nas grandes telas.

Em 2004, Ella Shohat da Universidade de Campinas, analisou a representação iconográfica de Cleópatra no século 20. Para ela, o debate vai ainda mais além do que aparenta: “As afirmações opostas – de que Cleópatra era egípcia, e, portanto negra, e de que era grega, e, portanto branca – são igualmente problemáticas. Tanto a equação simplista entre, de um lado, ser egípcia e negra, quanto, de outro, ser grega e branca, essencializam geografias culturais”.

Anos após sua morte, em meados de 30 a.C., o biógrafo grego Plutarco, discordou da famosa declaração de Cássio Dio: “A beleza dela em si não era de todo incomparável”, e acrescentou que “nem de surpreender quem a viu”. Sua maior marca era seu “encanto irresistível”, ao invés de uma beleza extravagante, sua inteligência, ambição e talento para governar a tornaram uma lenda histórica.


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