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Os restos de um imperador: Onde está o cadáver de Dom Pedro II?

Logo depois que o nobre faleceu, seu corpo foi cortejado por milhares de pessoas até finalmente encontrar seu destino final

Pamela Malva Publicado em 06/12/2020, às 09h00

D. Pedro II em retrato de Delfim da Câmara, em 1875
D. Pedro II em retrato de Delfim da Câmara, em 1875 - Wikimedia Commons

No dia 15 de novembro de 1889, Dom Pedro II viu seu trono ruir na frente de seus olhos. De camarote, o nobre assistiu melancólico enquanto seu Império caía e acompanhou o momento em que sua coroa foi estilhaçada.

Dois dias mais tarde, ainda de luto pela perda, toda a Família Imperial foi enviada para o exílio na Europa. Com a morte de Teresa Cristina três semanas após sua chegada, Dom Pedro II instalou-se em Paris, enquanto Dona Isabel viajou para longe.

Sozinho e saudoso, o último imperador do Brasil passou a viver em hotéis isolados, sem qualquer resquício do luxo que um dia conheceu. Em seus diários, ele narrava sobre os sonhos recorrentes que tinha, nos quais ele voltava para o país tropical.

Dom Pedro II em seu leito de morte, em 6 de dezembro de 1891 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma última viagem

Mesmo longe de toda a sua família, vivendo de forma solitária, Dom Pedro II continuava o aventureiro que sempre foi. Apaixonado pelo mundo, ele ainda fazia eventuais viagens e buscava explorar a região onde morava da melhor maneira possível.

Durante um passeio pelo rio Sena, então, o ex-imperador pegou um resfriado. Em questão de alguns dias, a doença se agravou, deteriorando a saúde do antigo imperador. Fraco e bastante debilitado, ele morreu no dia 5 de dezembro de 1891.

No leito de morte, fez de suas últimas palavras um desejo para o país. “Deus que me conceda esses últimos desejos”, ele enunciou, “paz e prosperidade para o Brasil". Dentro do caixão, um pacote com amostras de terra de todas as províncias brasileiras foi colocado ao lado do corpo de Dom Pedro II.

Representação do funeral de D. Pedro II noticiado em revisa francesa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Companhia de luto

Com a morte do antigo imperador, grande parte da Europa entrou em um luto profundo. Dona Isabel, a herdeira de Dom Pedro II, queria enterrar o pai em uma cerimônia singela, mas o governo francês pediu por um Funeral de Estado.

Sendo assim, o caixão do último imperador brasileiro foi acompanhado por líderes de diversos governos e países até a estação de trem da região, de onde seria enviado para Portugal. No total, cerca de 300 mil pessoas assistiram à despedida do nobre.

Dom Pedro II, então, foi enviado para a Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa. Na instituição, foi sepultado no Panteão dos Braganças, no dia 12 de dezembro. Depois disso, décadas se passaram até que o corpo do homem fosse movido novamente.

Mausoléu Imperial e túmulo do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Descanso eterno

Por mais que o país já tivesse se tornado uma república, a notícia da morte do imperador abalou o Brasil de forma intensa. Fossem monarquistas ou republicanos, os brasileiros entraram em um luto profundo e fizeram diversas homenagens ao falecido líder.

Foi assim que o corpo de Dom Pedro II retornou ao Brasil, pouco antes do centenário da independência, em 1921. Os restos do último imperador e de Teresa Cristina, então, foram levados até a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro — chamada, na época, de Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo —, onde ficaram por alguns anos.

Mais tarde, em 1939, o Governo Vargas inaugurou o suntuoso Mausoléu Imperial, uma capela na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Com estilo neogótico, o lugar é decorado por pinturas, mosaicos e murais que representam a coroação de Dom Pedro II, bem como sua partida para o exílio na Europa.

Repleto de poemas escritos pelo último imperador durante os dias de solidão, o mausoléu ainda guarda outros membros da Família Imperial além de Dom Pedro II. Lá estão sepultados os restos de Teresa Cristina, Dona Isabel do Brasil, seu esposo Conde d'Eu, Pedro de Alcântara e, por fim, Elisabeth Dobrzensky.


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