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Ovos de Fabrége: a tradição de Páscoa mais luxuosa da história

As jóias eram presenteadas aos membros da família real russa e tiveram desfechos diferentes depois da Revolução Russa

Caio Tortamano Publicado em 10/04/2020, às 10h00

Um dos exemplares presenteados na família imperial russa
Um dos exemplares presenteados na família imperial russa - Wikimedia Commons

Faz tempo que ovos são símbolo da Páscoa, principalmente por sua representação de dar fruto a coisas novas, jovens. Nem mesmo as famílias imperiais russas se furtavam do direito de comemorar a Páscoa presenteando uns aos outros com ovos, mas os produzidos pelo joalheiro Peter Carl Fabergé vão além, e são peças raríssimas hoje.

O primeiro exemplar foi construído em 1885, depois que o russo recebeu um pedido do czar Alexandre III, que na Páscoa daquele ano queria surpreender sua esposa Maria Feodorovna. Com a ajuda de seus ourives, Fabergé montou uma das que seriam as peças mais emblemáticas da história das jóias.

Aparentemente, por fora era um elegante ovo de ouro esmaltado, mas em seu interior estava um trabalho primoroso, que, ao abri-lo, você identificava uma gema de ouro. Dentro dessa gema, uma pequena galinha tinha um pingente de rubi e um diamante que replicava a coroa imperial.

Primeiro exemplar da obra / Crédito: Wikimedia Commons

 

A obra lembrava muito as bonecas matrioska, clássico brinquedo de origem também russa. Eram uma série de bonecas dentro de outras bonecas, cada uma um pouco diferente da outra.

A identificação de Maria com a peça foi imediata e ficou extremamente impressionada com a verdadeira obra de arte que havia sido presenteada. Assim, Fabergé foi nomeado como fornecedor oficial da corte de tais tipos de arte. A partir daí, um ovo era encomendado por ano somente pelo czar, com a condição que todos deveriam ter uma surpresa dentro.

A tradição passou do czar para seu filho, Nicolau II, que presenteava anualmente sua esposa Alexandra Feodorvna. Para os dois imperadores, foram encomendados 50 ovos ao longo da história — dos quais 8 foram perdidos ao longo do tempo —, mas outros membros da nobreza também faziam suas encomendas.

A fama levou dezenas de clientes particulares — todos muito ricos — a encomendarem as obras feitas de prata, ouro, cobre, platina e outros metais. A esmaltagem dava cores vivas às peças, e eram adornadas ainda com pedras preciosas, como rubi, diamante, jade, ágata, entre outros.

Ao todo, são 65 os ovos conhecidos, dos quais 57 existem até hoje. Dez dos ovos da família imperial estão no Palácio do Arsenal do Kremlin, em Moscou. Eles foram parar lá já em 1917, durante a Revolução Russa, quando o palácio Romanov foi saqueado a mando de Lenin. Fabergé fugiu para a Suíça com a família, onde viria a viver até seus dias finais.

Joalheiro Peter Carl Fabergé / Crédito: Wikimedia Commons

 

Vários desses ovos foram vendidos durante o governo Stalin para conseguir moeda estrangeira para a União Soviética, 14 deles foram comprados por Armand Hammer, dono de uma petroleira americana e amigo pessoal do tirano comunista. Além de Hammer, Emanuel Snowman, dono de um famoso antiquiário em Londres comprou parte dos artefatos.

Malcom Forbes chegou a ter a maior coleção dos ovos fora da Rússia, com nove peças. A coleção foi leiloada em 2004 e comprada por um magnata russo pelo valor de 120 milhões de dólares.

Dois exemplares mais complexos dos ovos / Crédito: Wikimedia Commons

 

As obras rodaram tanto o mundo que, em 2014, o terceiro ovo imperial da história (encomendado por Alexandre III) foi descoberto em um mercado de rua nos Estados Unidos. A peça foi avaliada em 24 milhões de euros.


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