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Paixões frustradas, agressões e abortos: a emblemática vida íntima de Carmen Miranda

Considerada um ícone entre 1930 e 1940, Miranda sofreu com relações curtas, amores intensos e namoros polêmicos

Pamela Malva Publicado em 25/05/2020, às 11h00 - Atualizado às 11h36

Retrato da icônica Carmen Miranda
Retrato da icônica Carmen Miranda - Wikimedia Commons

Entre as décadas de 1930 e 1940, o universo cinematográfico ganhou mais cores com o talento meteórico de Carmen Miranda. Ainda que o público visse suas fantasias em preto e branco, a mulher era um expoente vívido em um mundo monocromático.

Nascida em Portugal e radicada no Brasil aos dez meses de idade, a jovem Maria do Carmo Miranda da Cunha foi um ícone mundial. Com seus exóticos chapéus de frutas, foi considerada a 15ª maior voz da música brasileira pela Rolling Stone.

Conhecida como um verdadeiro símbolo do Brasil no exterior, Carmen Miranda conquistou os palcos nacionais e internacionais com seu sotaque e carisma. Nos Estados Unidos, garantiu seu posto em Hollywood ao lado de outros grandes artistas.

Enquanto sua carreira decolava como um foguete, no entanto a emblemática vida pessoal de Carmen passou por diversos obstáculos, relações complicadas, abortos espontâneos e parceiros polêmicos.

Foto de Carmen Miranda com um de seus figurinos exóticos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma atriz namoradeira

Dona de uma voz impecável, Carmen Miranda tinha um lugar de honra nos primeiros filmes sonoros dos anos 1930. Quando ainda estava no Brasil, vestiu seu figurino de baiana pela primeira vez no filme Banana da Terra, de 1939.

Na mesma época, manteve um breve namoro com o jovem remador do Flamengo, Mário Cunha. Pouco depois, engatou em uma relação com o bon vivant Carlos da Rocha Faria, herdeiro de uma tradicional família carioca.

Ainda na década de 1930, Carmen aceitou o pedido de noivado de Aloysio de Oliveira, um integrante do Bando da Lua. Enquanto namorava o músico, a atriz chegou a engravidar, mas escolheu pelo aborto, tendo sua carreira em mente.

Devido a este e outros diversos desentendimentos, ambos os artistas decidiram acabar com a relação e desmarcaram o casamento. A amizade carinhosa, no entanto, foi mantida até o fim de suas vidas.

Carmen Miranda com suas pulseiras e chapéu de frutas / Crétido: Getty Images

 

Um ícone em Hollywood

Com suas performances no Brasil, Carmen Miranda logo conquistou o coração do cinema norte-americano. Em 1940, então, estreou em Hollywood no filme Serenata Tropical, junto de artistas como Don Ameche e Betty Grable.

Uma vez nos Estados Unidos, Carmen traçou uma longa lista de breves romances com homens de inúmeras nacionalidades. Além do mexicano Arturo de Córdova, a cantora ainda apaixonou-se intensamente pelo brasileiro Carlos Niemeyer, na época um piloto da Força Aérea Brasileira.

Entre os dois relacionamentos, a cantora aida conheceu e se envolveu com os americanos John Payne, Dana Andrews, Harold Young e Donald Buka. Todos os pequenos amores, no entanto, foram ofuscados por uma paixão avassaladora.

Em 1947, nos sets de filmagem de Copacabana — um dos últimos filmes da artista —, Carmen Miranda conheceu David Sebastian. Como se fosse amor à primeira vista, a protagonista se apaixonou pelo assistente de produção.

Carmen com um de seus figurinos elaborados / Crétido: Getty Images

 

Intensidade e polêmica

A paixão absoluta entre Carmen e David levou os dois pombinhos a se casarem em pouco tempo. Perdidamente apaixonada pelo homem, entretanto, a artista não percebia o mau que seu amado fazia para sua carreira.

Segundo diversos biógrafos da cantora, David foi um dos responsáveis pela decadência moral e física de Carmen Miranda. Antes um simples empregado, o homem agora era seu empresário e conduzia seus contratos com negligência.

Como se não fosse o suficiente, David ainda influenciou a entrada das bebidas alcoólicas na vida de Carmen, enquanto agredia e humilhava a cantora de sucesso. Em pouco tempo, tornou-se dependente do álcool.

Já nos primeiros meses de relacionamento, os dois amantes enfrentavam crises violentas. Vítima do próprio marido, Carmen teve de lidar com ciúmes excessivos, brigas constantes e diversas traições.

Carmen Miranda e David Sebastian / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma relação tóxica

Em setembro de 1949, o casal polêmico chegou a anunciar a separação, gerando muitas fofocas na mídia. As dificuldades, no entanto, não impediram que eles reatassem o matrimônio apenas alguns meses mais tarde.

Católica fervorosa, Carmen se recusava a aceitar o divórcio e, com o marido, até conseguiu engravidar. Após um grande príodo tentando ser mãe, no entanto, ela sofreu um aborto espontâneo e ficou hospitalizada por dias.

A cantora foi acometida por uma forte hemorragia que, segundo os médicos que cuidaram dela, comprometeu seu aparelho reprodutor. Carmen, assim, descobriu ter ficado estéril, condição que a guiou até uma forte depressão.

Viciada em bebidas, cigarros, antidepressivos e calmantes, Carmen foi encontrada morta em sua casa, no dia 5 de agosto de 1955. Vítima de um ataque cardíaco, a mulher, ícone de um Brasil baiano, morreu aos 46 anos.


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