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Pânico na Nova Inglaterra: A mórbida saga dos cadáveres-vampiros

Nos Estados Unidos, habitantes da região passaram a acreditar em lendas que descreviam mortos transformados em predadores dos vivos

Isabela Barreiros Publicado em 04/10/2019, às 15h28

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- Reprodução

Em 1990, foram encontrados túmulos, no mínimo, peculiares na cidade de Griswold, em Connecticut, Estados Unidos. Por se tratar do cenário de alguns dos assassinatos cometidos pelo serial killer Michael Ross, a polícia primeiramente isolou a área como cena de crime.

Pouco tempo depois, o arqueólogo Nick Bellantoni descobriu que, na verdade, tratava-se de um cemitério agrícola da época colonial dos Estados Unidos. Os antigos ossos avistados pelos especialistas eram datados de mais de um século atrás. Além disso, eles também estavam posicionados de uma maneira diferente do habitual: decapitados, os cadáveres apresentavam alguns pedaços de seu corpo mutilados.

Esse acontecimento fez com que arqueólogos passassem a questionar o que havia acontecido na região. Além desse esqueleto, foram encontrados 80 restos que tiveram sua cova reaberta e seu corpo exumado.

As sepulturas estudadas pelo arqueólogo Nick Bellantoni / Crédito: Reprodução

 

Por meio de pesquisas, eles chegaram à conclusão de que as descobertas provavelmente estavam relacionadas a uma lenda concentrada principalmente na região da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, local em que as sepulturas violadas foram encontradas.

Durante o século 19, muitas pessoas de cidades próximas acreditavam que alguns cadáveres enterrados eram vampiros que estavam saindo de seus túmulos para matar os vivos. A crença fez com que muitos deles fossem exumados no estado de Connecticut.

"Você lê um artigo que descreve uma exumação, e eles descrevem uma coisa semelhante que aconteceu em uma cidade vizinha", explica o arqueólogo, autor do livro Comida para os Mortos: Na Trilha dos Vampiros da Nova Inglaterra.

Mesmo que ainda seja difícil definir porque essas pessoas consideravam os mortos como vampiros, os especialistas dizem que o pânico, no geral, ocorria quando aconteciam surtos de tuberculose na região. O primeiro corpo, encontrado em 1990, se encaixa nessa análise — ele sofreu com tuberculose ou uma doença pulmonar parecida.

As pessoas que morriam eram classificadas pelos sobreviventes da doença como “vampiras”, por terem passado a sina, sobretudo, para seus parentes, que continuavam a sofrer com a enfermidade após a morte destes primeiros. Para acabar com a predação dos vampiros, os cadáveres eram exumados, mas o que se fazia com eles dependia da cidade em questão.

Alguns dos eventos ocorriam em privado, somente com a família e vizinhos, mas outros podiam contar com a presença de médicos e clérigos para avaliação e oração. Em Rhode Island e Vermont, a cerimônia envolvia a queima do coração do vampiro e a inalação da fumaça como uma espécie de cura para os tuberculosos.

Esse costume aconteceu ainda antes da famosa história das Bruxas de Salém, uma caça às bruxas que tomou conta do estado de Massachusetts, ainda na Nova Inglaterra, território estadunidense.