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Para poder estudar, Zahra Joya teve que driblar o Talibã ao se disfarçar de menino

Quando o Afeganistão esteve sob domínio do grupo fundamentalista, entre os anos de 1996 e 2001, meninas foram proibidas de estudar, porém Zahra contrariou a regra

Redação Publicado em 21/08/2021, às 09h00

A menina Zahra vestida como Mohammed
A menina Zahra vestida como Mohammed - Divulgação/Arquivo Pessoal

Com a volta do Talibã no comando do Afeganistão nos últimos dias, o mundo tem visto uma onda de violência e terror generalizado na região. Lembrando-se de um passado não muito distante, milhões de afegãos e, principalmente, afegãs, agora temem pela sua vida e liberdade.

No caso das mulheres, quando o grupo dominou o território pela primeira vez, não era permitido sair de casa sem um membro da família do sexo masculino, assim como estudar. Porém, nem todas se sujeitaram a essas regras arcaicas e misóginas.

A pequena Zahra Joya, por exemplo, decidiu, ainda aos 5 anos de idade, que queria ir à escola e vestiu-se de menino para isso. A seguir, confira 5 curiosidades sobre o caso.

1. Sob o regime do Talibã

Com a adoção da lei da sharia, as mulheres acabaram perdendo muitos de seus direitos conquistados. As regras eram estritas e inúmeras desde muito cedo, já que meninas foram proibidas de estudar pelo Talibã.

Era difícil para Zahra, assim como para muitas outras crianças do sexo feminino. Presenciavam tios indo às aulas sem que pudesse fazer o mesmo.

Uma menina faz seu dever / Crédito: Imagem de Free Stock Photos from www.picjumbo.com por Pixabay

 

2. Uma ideia arriscada

Ao ver que a menina queria muito poder frequentar a escola, um dos tios resolveu ajudá-la. Ela tinha apenas cinco anos, mas quis enfrentar os riscos de se vestir como garoto para poder alcançar seus objetivos. 

Conforme declarou em entrevista à BBC, ele a ensinou a agir 'como um menino'. Levou-a às montanhas, ensinou-a a jogar futebol, entre outras coisas, tudo isso para que ninguém pudesse desconfiar que Mohammed, a nova identidade de Joya, era, na verdade, uma garota.

Manifestantes em solo britânico, pedem ajuda às mulheres afegãs / Crédito: Getty Images

 

3. Disfarce de anos

Felizmente, ninguém jamais descobriu o disfarce, até que Zahra completou 11 anos de idade e o Talibã foi derrotado. Com a queda do regime, não era mais preciso fingir uma identidade, pois meninas poderiam novamente exercer seu direito ao estudo. Contudo, quando ela finalmente contou a verdade aos seus colegas, não foi bem-aceita. 

4. Preconceito

Já pré-adolescente, Zahra teria de enfrentar um forte preconceito que vinha tanto de seus antigos amigos, quanto das meninas, que não a aceitavam no grupo.

Mesmo assim, Joya se manteve otimista e muito determinada, uma vez que sabia que havia tido uma infância 'privilegiada' pelo acesso à educação.

“Eu dizia que estava feliz porque eu podia ler, escrever, tive educação no tempo certo. Estava orgulhosa porque tinha voz”, disse a jovem à BBC.

Zahra hoje em dia / Crédito: Divulgação / Joel van Houdt

 

“Ao ser Mohammed fiz meu futuro, aprendi a socializar com homens e com uma parte da sociedade com a qual eu não teria contato. Quando tinha uma reunião só para meninos eu podia ir, falar com homens, apertar as mãos deles, o que não era comum no Afeganistão", explicou ela.

5. Continuando os estudos

O tempo passou e Zahra seguiu com os estudos, até que entrou na faculdade de direito. Era incomum que mulheres afegãs fizessem ensino superior, mas ela, mesmo com dificuldades financeiras, conseguiu se formar, realizando um grande sonho.

Hoje, além de ser advogada, Joya atua como jornalista e é responsável pelo sustento da família, tendo pago, inclusive, os estudos das duas irmãs mais novas.


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