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Peste Negra: Qual o destino dos cadáveres mortos pela pandemia?

No século 14, cerca de 85% da população de Londres foi vítima do surto de uma das mais devastadoras doenças da História

Nicoli Raveli Publicado em 02/04/2020, às 09h00

Roupa usada para os médicos durante a Peste Negra
Roupa usada para os médicos durante a Peste Negra - Wikimedia Commons

A pandemia, que foi alastrada pelo organismo Yersinia Pestis por meio da pulga Xenopylla Cheopis, foi responsável pela morte de mais de 200 milhões de pessoas. Conhecida como Peste Negra, a doença atormentou a vida da sociedade na segunda metade do século 14 com seu primeiro e maior surto. 

Mais tarde, os especialistas descobriram que a peste era causada por uma bactéria transmitida de animais para humanos e também por picadas de pulgas, além do contato com secreções dos infectados e superfícies contaminadas. A doença surgiu no continente asiático, mas alastrou-se pela Europa por meio dos ratos e pulgas que estavam nos porões das embarcações. 

Cadáveres da peste

Devido a alta taxa de mortalidade, que oscila entre 30% e 60%, era comum que os moradores de Londres se deparassem com os corpos dos mortos em locais públicos. Em consequência a lotação dos cemitérios, a igreja cristã local cedeu seus terrenos para que a maioria das pessoas pudessem ser enterradas.

Entretanto, de acordo com Catharine Arnold, autora do livro Necropolis: London and Its Dead, a quantidade de mortos era imensa. “Galinhas e porcos procuravam restos. Os moradores mais pobres não tinham expectativa de uma trama funerária dedicada”.

Mesmo que a doença não fosse transmitida pelo contato direto com os mortos, a proximidade com os cadáveres fez com que acontecesse a disseminação da doença, já que as pulgas infectadas entravam em contato com as pessoas que, até então, estavam saudáveis. De acordo com a escritora, cerca de um terço e meio da população de Londres morreu durante a pandemia.

Arte do período da Peste Negra / Créditos: Getty Images

 

"A Peste Negra levou os devotos a questionar a própria natureza da existência. A morte, uma vez que a inevitável conclusão de uma boa vida cristã, tornou-se uma aparição aterrorizante, que ataca sem advertindo e exterminando uma geração inteira ", relatou Arnold.

Além disso, muitos dos infectados eram deixados para trás. “Pais abandonavam seus filhos doentes. Advogados se recusavam a sair de casa e fazer testamento para os moribundos. Frades e freiras foram deixados para trás para tomar conta dos doentes e monastérios e conventos logo estavam desertos, pois eles também foram afetados. Corpos foram deixados em casa abandonadas, e não havia ninguém para lhes dar um funeral Cristão”.

Segundo William Maitland, que escreveu o livro History of London, a igreja tomou mais medidas para enterrar as vítimas da doença. Dessa maneira, o então bispo de Londres decidiu comprar uma propriedade, intitulada Terra de Ninguém. A necessidade do local foi tanta que, mais tarde, descobriram que cinco corpos ocupavam a mesma vala. Todavia, por medo de contrair a doença, muitos corpos foram incendiados.

Os efeitos do surto

“A Peste Negra acelerou o declínio da servidão e a ascensão de uma classe próspera de camponeses, os Yeomen, no século XV”, escreveu Norman Cantor no livro No Despertar da Peste.

De acordo com ele, a escassez de mão de obra contribuiu para esse cenário. “Os camponeses podiam pressionar por salários mais altos e mais eliminação de taxas e restrições servis. Os proprietários mais empreendedores acabaram se preparando para ceder às demandas dos camponeses. A melhoria do padrão de vida de muitas famílias camponesas é demonstrada pela mudança de louça de barro para panelas de metal que os arqueólogos descobriram". 

Representação de cenário de peste / Crédito: Reprodução

 

Ele acrescentou ao dizer que a morte foi boa para as mulheres sobreviventes. "No meio da nobreza, as viúvas floresceram. Entre as famílias da classe trabalhadora, tanto no país quanto na cidade, as mulheres dos séculos 14 e 15 tiveram um papel proeminente na produtividade, dando a eles um ar de independência”.

Além disso, devido aos três surtos da peste negra, houve uma redução intensa da população. Segundo os dados mais aceitos, essa redução foi de um terço da população europeia. Todavia, alguns especialistas discordam dessa afirmação, como é o caso do historiador Jacques LeGoff. Para ele, metade dos europeus morreram devido ao surto da peste negra. Em locais específicos, como a Inglaterra, o pesquisador afirma que a taxa de mortalidade foi de 70%.


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